29/04/2017

Resenha - Resistência


Nome: Resistência
No Original: Mischling
Autor (a): Affinity Konar
Tradutor (a): Alyda Sauer
Páginas: 320
Editora: Fábrica 231
Comprar: Amazon - Submarino - Saraiva - Cultura
Sinopse: Pearl e Stasha chegam a Auschwitz em 1944 e ainda vivem sob o encantamento da infância – têm uma conexão muito forte, se entendem, se confortam e brincam juntas. Como parte de um experimento chamado Zoológico de Mengele, as irmãs conhecem o horror e têm suas identidades fraturadas pela dor e pelo sofrimento. No inverno, Pearl desaparece; Stasha chora pela irmã, mas mantém a esperança de encontrá-la viva. Ao final do conflito, Stasha se depara com um mundo em ruínas, uma Polônia devastada pela guerra, e tenta reconstruir sua vida a partir dali. Romance narrado com uma voz poderosa e única, Resistência desafia qualquer expectativa ao atravessar um dos períodos mais devastadores da história contemporânea e mostrar que há beleza e esperança até diante do caos e ganhou elogios da crítica e de autores como Anthony Doerr, de Toda luz que não podemos ver.

Resistência é um daqueles livros que assim que a gente vê dá um nó no estomago e sabemos que precisamos ler. Em um tempo de tanto horrores gratuitos e naturalizados precisamos ler para nunca esquecer. Conhecemos muitos livros sobre a Segunda Guerra, ambientados nela, de romance, de milagres, de horrores, de grande atos de coragem e grandes atos de covardia. Resistência, de Affinity Konar é um pouco de tudo isso. Só de ver o nome de Mengele na sinopse já sentimos o sangue gelar. Conheçam.

Pearl e Stasha são gêmeas, sombras uma da outra, unidas pelo conhecimento passado pelo avô sobre os seres vivos e vivendo um encantamento diferente entre si. Quando chegam ao "zoológico de Mengele" as duas têm sua visão de mundo desafiada. Pearl e Stasha não entendem mais onde se encaixam no mundo e que classificação é essa feita pelo homem que passarão a chamar de "tio". Vivendo em estábulos em Auschwitz ao lado de gêmeas, trigêmeas, albinas, anões e todo o tipo de pessoas com diferentes traços genéticos as irmãs criam versões de si. A mais sorridente e ativa Pearl se fecha e Stasha encontra uma voz para dar sentido a violência. Criando mundos próprios elas enfrentam a realidade com uma resiliência devastadora. Ambas separam-se do que eram quando chegaram, transformando-se em algo novo, marcadas e separadas pelos experimentos e pela imaginação sádica do médico que viria a fugir por anos da chamada "justiça". E quando Pearl subitamente desaparece Stasha perde o último pedaço de si.

Essa é a premissa de Resistência, livro onde Affinity Konar transforma dor e sofrimento em entrelinhas marcadas por um tipo de dor ainda pior: a dor da alma. A autora traduz todos os gritos de pavor, todos os gemidos e toda a agonia enfrentada pelas crianças do zoológico de Mengele em uma poesia que machuca. A autora conduz o leitor pela transformação das gêmeas Pearl e Stasha de forma incomoda, que cutuca no que temos de "eu" e nos faz querer gritar, voltar no tempo e matar lentamente o médico de Auschwitz, afinal xingá-lo e amaldiçoá-lo é pouco e pensar que tudo o que a autora nos poupou transformando em uma dor subjetiva, que dói, mas não é explícita aconteceu de verdade é pior ainda.

A história de Pearl, Stasha e todos os outros gêmeos, trigêmeos e personagens do zoológico se torna ainda mais doída quando pensamos no mundo que vivemos. Resistência é um livro para te fazer duvidar do ser humano. Como um ser capaz de tanta maldade pode ser capaz de tolerar tanta dor? É uma contradição sem explicação. O livro é leitura mais que recomendada, necessária e que consegue captar o que mais precisamos levar desse período da História. O sofrimento mutilante de tantas pessoas, as vozes roubadas, as vidas despedaçadas e a certeza da causa dos perpetradores.

A prosa da autora é delicada, alterna as vozes narrativas das duas irmãs, conduzindo a história cada uma com sua força pessoal, levando o leitor por passagens difíceis sem nunca cair no lugar comum. Uma ambientação poderosa e escolha corajosas marcam a estreia de Affinity Konar. A edição da Fábrica 231 está linda. Uma capa delicada que capta a essência das protagonistas, a beleza marcada das gêmeas e uma tradução atenciosa, fluída. Um belo livro para uma história sombria, um romance não menos, mas um romance que ecoa histórias reais ainda piores. Recomendo a todos. Sem poréns e sem talvezes. Leia e lembre porque jamais devemos esquecer. Até mais!

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28/04/2017

Resenha - Inesquecível


Nome: Inesquecível
No Original: Unremembered
Autor (a): Jessica Brody
Tradutor (a): Ryta Vinagre
Páginas: 336
Editora: Rocco
Comprar: Amazon - Submarino - Saraiva - Cultura
Sinopse: Após um acidente aéreo, uma garota é encontrada ilesa e sem memória em meio aos destroços em pleno oceano Pacífico. Ela não estava na lista de passageiros da aeronave e seu DNA e suas impressões digitais não são reconhecidos em nenhum lugar do mundo. Sua única esperança é um garoto estranho e sedutor que afirma conhecê-la. E que eles eram apaixonados um pelo outro. Mas será que ela pode confiar nele para recuperar seu passado e descobrir quem ela realmente é? Inesquecível é o primeiro volume de uma trilogia romântica com tintas sci-fi. A autora, Jessica Brody, que tem outros livros publicados no Brasil, como A amante infiel e Karma Club, constrói uma história de amor apaixonante e repleta de elementos de ficção científica e de suspense.
Conheci a trilogia no Goodreads logo que foi lançada e era um daqueles livros que ficou na minha lista de curiosidades por muito tempo, por isso foi com surpresa que vi Inesquecível na lista de lançamentos da editora Rocco. Amnésia pode ser tanta coisas em livros e a trilogia de Jessica Brody sempre me fez perguntar qual era o caso. Conheçam Inesquecível e descubram por que esquecer neste caso é mesmo libertar-se.

Você acorda no meio de vários corpos, no que mais tarde vai descobrir ser os destroços de um avião. Sem memória alguma. Não é como esqueci tudo da minha vida, mas me lembro do funcional. Você não sabe o que é televisão, o que é hospital, o que é saco cheio, o que é remédio, o que é roupa, o que é nada. É como uma folha em branco. Seu nome não está na lista de passageiros, nem sua impressão digital, ou sua arcada dentária e seu DNA em lugar algum. Essa é Violet, chamada assim por causa de seus olhos violetas. Ela não tem um arranhão e não sabe de nada. Tudo o que tinha era a roupa do corpo e um cordão com um pingente do símbolo do nó do infinito com a inscrição S + Z = 1609. Saindo do hospital para uma família adotiva em uma cidade pequena Violet descobre investigando o par de roupa com que estava quando foi levada ao hospital um pequeno bilhete costurado na costura da calça. No bilhete "confie nele" e tudo parece indicar que é o misterioso rapaz de cabelos negros e olhos quase bordô que a visitou no hospital durante a madrugada. Porém quando um homem ruivo começa segui-la a dúvida aparece. Quem é o ruivo? O alerta que o rapaz fez é real? Ela estava fugindo? Por que não se lembra de nada?

Essa é a premissa de Inesquecível e não posso falar muito sem estragar a narrativa do livro. Narrado em primeira pessoa e dividido em três partes o livro acompanha de modo inquietante a jornada de uma garota sem memória alguma, uma aparência única e um talento estranho com números. Brody constrói sua história em cima do mistério e consegue carregá-lo de forma a prender a atenção do leitor por bastante tempo. Seja pela origem da garota de olhos violeta, seja pela imensa trama que se esconde atrás de seu aparecimento e de sua pessoa. 

Inesquecível deixa a impressão que é uma grande apresentação e a grande pergunta que fica é quem diabos são as pessoas por trás da corporação que está atrás de Violet. Focada nos personagens a narrativa é ágil, desenrolando-se de modo a não acumular muitas perguntas, voltando a atenção do leitor para a trama maior, o quadro maior, mas com ambientação bem cuidada, com descrições o suficiente para iluminar o cenário. O livro deixa todo mundo curioso para saber o que estar por vir e entender mais das tecnologias desse universo. Minha única ressalva, que na verdade é mais um temor é quanto ao fato de a autora poder focar mais no romance. Espero sinceramente que não. 

Leitura que consegue instigar não só pelo quadro "falta de memória", como pela verdadeira história de Violet, que vale lembrar não é o nome verdadeiro dela. Jessica Brody construiu que vai cativar o leitor que gosta de tramas que vão direto ao ponto quanto se trata de personagens. A edição da Rocco está muito boa. A escolha da capa foi ótima, prefiro muito mais essa versão e ficou bem adaptada. Se você gosta de uma trilogia jovem com trama instigante e um bom mistério recomendo Inesquecível, assim como boa mistura de tecnologia e História. Leiam e surpreendam-se! Até mais!

Trilogia Inesquecível - Jessica Brody
1- Inesquecível
2- Unforgotten
3- Unchanged

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02/04/2017

Resenha - Uma Pequena Mentira


Nome: Uma Pequena Mentira
No Original: One Tiny Lie
Autor (a): K. A. Tucker
Tradutor (a): Alice Klesck
Páginas: 352
Editora: Fábrica 231
Comprar: Amazon - Submarino - Saraiva - Cultura
Sinopse: Livie, a mais centrada das irmãs Cleary, segurou as pontas após a morte dos pais num acidente em que Kacey, a mais velha, foi a única sobrevivente, e cuidou da irmã quando ela caiu em depressão. Aos poucos, Kacey superou seus traumas e encontrou a felicidade, enquanto Livie se dedicava aos estudos. Agora, no segundo do livro da série de sucesso Ten Tiny Breaths, K. A. Tucker joga o foco de sua envolvente narrativa sobre a caçula. Livie acaba de ingressar na tradicional Universidade de Princeton e está pronta para viver as emoções típicas de uma caloura, o que inclui frequentar as festas no campus, fazer novos amigos e encontrar um namorado bacana com quem possa tecer planos para o futuro. Ela só não esperava se envolver justamente com um cara como Ashton Henley, o capitão do time de remo com fama de garanhão. Com medo de ser apenas mais uma na lista de conquistas de Ashton, Livie tenta agir com a razão, como sempre fez. Mas até que ponto vale a pena dominar seus sentimentos por medo de se machucar? Uma pequena mentira é mais um livro da coleção Curti, para quem não abre mão de uma boa história romântica.

Desde que comecei a ler new adult e passava os fins de semana no Goodreads lendo sinopses e imaginando o que vinha por aí que a série Ten Tiny Breaths está na minha lista, por isso quando li Respire adorei confirmar o que eu esperava: que a série tem tudo para ser muito boa. A Rocco surpreendendo o leitor traz o segundo livro pouco depois e Uma Pequena Mentira segue com uma história forte, de pessoas quebradas e escolhas difíceis. Conheçam o segundo livro da série e descubra porque K.A. Tucker é uma autora que você deveria ler.

Livie é a irmã de Kacey, protagonista do primeiro livro e diferente de sua irmã lidou bem diferente com a morte trágica dos pais. Talvez por ser mais nova, talvez por se agarrar com tantas forças a decisão de estudar em Princeton e formar pediatra com especialização em oncologia. Era sua última ligação com o pai, como uma promessa, algo que ela poderia fazer tendo certeza que ele aprovaria. Porém ao entrar em Princeton Livie percebe que a vida não segue planos. Na primeira semana ela conhece Ashton, capitão do time de remo. O fato de sua colega de quarto Reagan ser filha do treinador não ajuda muito e menos ainda que Connor seja do time, e amigo de Ashton. Desde a festa de boas-vindas desastrosa com sua irmã que Livie tenta esquecer Ashton. Connor parece tudo o que seu pai iria querer para ela. Ashton tem namorada, é mentiroso e tem a pior fama do campus, mas Livie acaba percebendo que as aparências enganam, e por trás de uma pequena mentira existe um mundo bem feito e complicado. Depois de toda a dor que passou com os pais e vendo Kacey se afundar nessa dor ela sabe bem que Ashton está longe de ser quem todo mundo pensa. Mas será que existe saída no meio de tanta dor e sofrimento? Livie se vê arrastada para uma situação impensável e para piorar a cada dia que passa ela sabe que medicina não foi feito para ela.

Esse é o ponto de partida da história de Livie e devo dizer que a narrativa em primeira pessoa não ficou devendo em nada. Tucker é uma autora que consegue destruir o leitor com sua histórias e personagens complicados. Adoraria algumas capítulos narrados por Ashton e juro que adoraria ver o pai dele queimar no inferno. Mas deixando essa parte de lado para não estragar as surpresas devo dizer que acabei gostando da irmã da Kacey. Livie é um pouco vaga no começo, mas consegue dar voz a uma história própria e logo nos primeiros capítulos estamos envolvidos em sua história. Primeiro por ela e depois por Ashton, e por todo o resto.

A narrativa da autora é envolvente e o modo como dá voz a Livie instiga o leitor assim como as pequenas descrições e a ambientação vivaz. Depois que começamos é impossível largar antes de descobrir tudo. Leitura rápida e que deixa o leitor querendo mais de vários personagens. A edição da Fábrica 231 está perfeita, desde a tradução até a adaptação da capa. Recomendo a todos que gostam de um bom new adult, e também aos que ainda não conhecem o gênero ou só procuram uma bela história de como pessoas partidas podem surpreender. A série pode ser começada do segundo livro sem problemas. Depois de lê-lo é certeza que vai procurar o primeiro... Leiam! Até mais!

Ten Tiny Breaths - K.A. Tucker
1- Respire
2- Uma Pequena Mentira
3- Four Seconds To Lose
4- Five Ways To Fall

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01/04/2017

Resenha - A Caminho do Azul Sereno


Nome: A Caminho do Azul Sereno
No Original: Into the Still Blue
Autor (a): Veronica Rossi
Tradutor (a): Alice Klesck
Páginas: 352
Editora: Rocco
Comprar: Amazon - Submarino - Saraiva - Cultura
Sinopse: No derradeiro capítulo da trilogia Never Sky, sucesso da brasileira radicada nos EUA Veronica Rossi, Aria e Perry estão determinados a encontrar o Azul Sereno, o último refúgio contra as tempestades de éter, cada vez mais constantes no mundo em que vivem. Mais do que o amor proibido que os mantém ligados, eles precisam unir Forasteiros e Ocupantes se quiserem sobreviver, e salvar a vida daqueles que amam. Sem escolha e determinados a permanecerem juntos, contra todas as probabilidades, os dois protagonistas partem para a mais perigosa de suas aventuras, que não só colocará à prova seu amor, coragem e capacidade de liderança, como também exigirá grandes sacrifícios. Será que eles estão preparados para a jornada A caminho do Azul Sereno?

Não acredito que estou resenhando o terceiro livro. Li o primeiro quando a Prumo lançou em 2013, depois quando a Rocco lançou em 2015 e ainda não acredito que a trilogia está concluída. É um misto de felicidade e tristeza, primeiro porque a trilogia não ficou inacabada no limbo dos livros lançados aqui no Brasil e abandonados por diversos motivos pelas editoras, segundo porque eu queria muito mais do universo de Never Sky. É uma das trilogias que mais gostei de ler nos últimos anos e tem muita coisa que pode virar livro. Os personagens são ótimos e ainda não estou pronta. Mas vamos a resenha e se você ainda não conhece, sugiro que pare de ler a resenha e vá ler o primeiro livro! Não porque tem spoiler, mas porque está perdendo tempo sem conhecer. 

Em poucos meses a vida de Ária e Perry virou de cabeça para baixos. Ela viveu a vida inteira em cidades-núcleo, isolada do mundo. Perry vivia no mundo exterior com sua tribo, enfrentando as tempestades de éter que queimava e destruía tudo pela frente. Quando Ária foi colocada para fora da cidade-núcleo de Quimera ela não imaginou sobreviver, muito menos a vida que ia estar vivendo poucos meses depois. Lutando pelo Azul Sereno ela e Perry perderam muito, e depois de traições e escolhas difíceis os dois terão de fazer a escolha final. Liderando não só sua tribo, mas o que restou de diversas outras tribos e habitantes da cidade-núcleo de Quimera Perry contará com a ajuda de Ária, Soren e Roar para resgatar Cinder e liderar o povo para o Azul Sereno. Cinder é a chave para a sobrevivência, porém Perry sabe que essa é uma decisão que cabe apenas ao menino. O éter piora a cada dia, sobreviver sob o céu do planeta terra se tornará impossível em pouco tempo e se o povo não conseguir atravessar o paredão de éter que cerca o bolsão do Azul Sereno todo o esforço, todas as perdas e todas as escolhas terão sido em vão.

Essa é a premissa do livro final de Never Sky. Trabalhando mais uma vez com pontos de vistas alternados entre Ária e Perry a autora desdobra a batalha final por sobrevivência e ela envolve mais escolhas difíceis e pessoas terríveis do que uma batalha em si. Até que ponto podemos chegar quando se trata de sobreviver? Com uma trama ágil que não perde tempo Rossi conduz seus personagens ao azul sereno. A ambientação continua sendo ponto forte do livro ao lado dos personagens, que surpreendem a cada capítulo e mostram o quanto cresceram.

Perry e Ária lidam com uma decisão insuportável e a autora consegue transparecer isso para o leitor e apesar de querer mais e mais desse mundo acredito que a trama concluiu bem. Rossi tinha material em todos os três livros que renderia o dobro de páginas em cada um deles, mas a autora optou pelo menos é mais e fez um belo final. Alternando entre o pior e o melhor da humanidade ela encerra a história com dois protagonistas fortes, que funcionam bem juntos e não se perderam. Ária e Perry continuam a ser aqueles que conhecemos em Sob O Céu do Nunca, crescidos, mas não alterados como acontece em muitas trilogias. 

Leitura rápida, de uma vez só afinal queremos saber o desfecho, os capítulos são instigantes demais para largar antes do fim. A edição da Rocco está ótima, adorei a mudança no visual da trilogia e os livros ficaram perfeitos juntos. Recomendo muito a trilogia. Se você gosta de ficção científica, ou distopia e mesmo fantasia. É um mundo rico, intrigante e que merece ser explorado. Torcendo para Veronica Rossi retornar a Never Sky, nem que seja no passado, quando o planeta mudou e o éter surgiu. Se você gosta de elementos criativos e bons personagens essa é sua trilogia. Leiam! Até mais!

Never Sky - Veronica Rossi
1- Sob O Céu do Nunca
2- Pela Noite Eterna
3- A Caminho do Azul Sereno

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30/03/2017

Resenha - Pela Noite Eterna


Nome: Pela Noite Eterna
No Original: Through The Ever Night
Autor (a): Veronica Rossi
Tradutor (a): Alice Klesck
Páginas: 304
Editora: Rocco
Comprar: Amazon - Submarino - Saraiva - Cultura
Sinopse: Ária tem lutado para construir uma vida para si mesma. Não foi fácil se adaptar à vida no deserto, mas a luta valeu a pena, pois Perry estava ao seu lado. Só que Perry tem outros desafios. Seu povo conta com ele para obter respostas sobre o que aconteceu com seu sobrinho e o que está acontecendo ao seu mundo. E ninguém confia na presença de Ária, uma inimiga entre eles. Logo Perry será forçado a escolher entre a liderança de sua tribo e a garota que ama. Com a tempestade de éter piorando a cada dia, a única esperança de paz e segurança que resta é chegar a Azul Sereno. Pela noite eterna é o segundo volume da trilogia, iniciada por Sob o céu do nunca. Vendido para cerca de 30 idiomas. Bestseller do New York Times. Direitos para a adaptação cinematográfica foram comprados pela Warner.

Li Sob o Céu do Nunca alguns bons anos e li de novo quando saiu em edição nova pela Rocco e desde a primeira leitura a história se tornou uma das minhas favoritas. Veronica Rossi consegue uma história única ao aliar elementos da ficção-científica, da distopia e da fantasia. O mundo da trilogia Never Sky é a nossa boa e velha Terra, mas tirando isso todo o resto é diferente. Com ótimos protagonistas e uma história sólida Rossi dá sequência ao seu conto de sobrevivência, família e descobrimento. Conheçam Pela Noite Eterna.

Em poucos meses a vida de Ária e Perry virou de cabeça para baixos. Ela viveu a vida inteira em cidades-núcleo, isolada do mundo, aproveitando uma vida nos reinos informatizados, jogando e vivendo protegida do mundo. Perry vivia no mundo exterior com sua tribo, enfrentando as tempestades de éter que queimava e destruía tudo pela frente. Quando Ária foi colocada para fora da cidade-núcleo de Quimera ela não imaginou sobreviver, muito menos a vida que ia estar vivendo poucos meses depois. Perry agora é o soberano de sua tribo, Ária descobriu que seu pai era um selvagem, e mais que os selvagens não são selvagens como as histórias que ouvia. Como Audi, alguém com capacidade de ouvir extraordinária ela espera para ser marcada e assim um pouco aceita na tribo dos Marés. Porém não está fácil, ela ouve tudo o que dizem, cada comentário maldoso cochichado e Ária sabe que eles sabem que como audi ouve tudo. Isso porque Perry e ela não contaram que eles estão juntos, apenas que ela está ali para ajudá-los a encontrar o Azul Sereno. Um bolsão formado na camada eletromagnética da terra, a última esperança de sobrevivência. O éter piora a cada dia, as tempestades estão descontroladas e o pouco que conseguiam prever pelas estações já não funciona. Com diversas tribos buscando sobrevivência, as cidades-núcleo parando de funcionar, a busca pelo Azul Sereno e sobrevivência tornará tudo mais difícil. Perry e Ária tentarão fazer o que certo, mas será que conseguirão diante de tantos obstáculos e traições?

Essa é a premissa de Pela Noite Eterna e Veronica Rossi continua tão afiada quanto em seu antecessor. O livro não sofre da síndrome do segundo livro e prende o leitor desde o começo. Os capítulos alternados entre Ária e Perry são perfeitos, cobrindo toda a história e nos mantendo inquietos a espera do final. A narrativa é ágil, as descrições vívidas e nos sentimos diante desse mundo traiçoeiro. Os novos personagens secundários adicionam ainda mais a tensão do livro. Você pode sentir o veneno e a maldade escorrendo de seus diálogos.

Os protagonistas continuam ótimos. Sou suspeita para falar, talvez, porque eu gosto muito de Perry e Ária, assim como de Roar, mas os personagens criados pela autoria carregam bem a história, são interessantes, fortes e realistas. O mundo é interessantíssimo, e toda a estrutura de tribos, cidades-núcleo, olfativos, audis, videntes, e principalmente o éter renderia livros e mais livros. A trama deste segundo livro é sobrevivência e pessoas. Como as pessoas são cruéis e traiçoeiras quando falamos em salvar a própria pele. O ser humano consegue manter o caráter quando envolve sobrevivência? Rossi podia ter desenvolvido mais seu mundo porque ele é riquíssimo, mas em termos de história fechou muito bem preparando o terreno para uma conclusão daquelas.

A leitura é rápida até demais, e repito mais uma vez: eu quero mais livros nesse universo e com esses personagens! A edição da Rocco está perfeita, desde a adaptação da capa até a tradução. Espero ansiosa para uma adaptação da trilogia e torço para que faça justiça a história, aos personagens e o mundo porque é muito bom. Recomendo a todos que procuram uma trilogia que consegue ser inovadora, que arrisca e surpreende. Leiam! Até mais!

Never Sky - Veronica Rossi
1- Sob O Céu do Nunca
2- Pela Noite Eterna
3- A Caminho do Azul Sereno

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01/03/2017

Resenha - Dicas da Imensidão


Nome: Dicas da Imensidão
No Original: Wilderness Tip
Autor (a): Margaret Atwood
Tradutor (a): Ana Deiró
Páginas: 240
Editora: Rocco
Comprar: Amazon - Submarino - Saraiva - Cultura
Sinopse: Aos 77 anos, ela é ativa nas redes sociais, onde frequentemente expõe suas opiniões sobre temas como feminismo, meio ambiente, política e economia, assuntos presentes também em toda a sua extensa obra literária. Nesta coletânea de contos protagonizados por personagens femininas marcantes que inaugura o novo projeto gráfico para a obra da escritora pela Rocco, assinado pelo ilustrador Laurindo Feliciano, a canadense Margaret Atwood mostra mais uma vez por que é uma das principais vozes da literatura em língua inglesa contemporânea. São dez narrativas em que a fauna humana se apresenta em toda a sua banalidade e excepcionalidade, em que situações inquietantes subitamente desestabilizam o cotidiano de pessoas comuns, iluminando o instante único capaz de moldar uma vida inteira. Manejando com extrema habilidade os sentimentos, desejos, as frustrações e memórias de suas personagens, a escritora conduz o leitor por uma teia de histórias que falam da beleza e do mistério da condição humana.

Contos. O que falar de contos? Eu os amo e não canso de repetir isso a cada resenha e para uma leitora apaixonada por contos nada mais gostoso e gratificante do que se deparar com um livros de contos inteiramente original, diferente de tudo o que já havia lido no gênero. Dicas da Imensidão reúne dez contos espetaculares sobre a mulher e suas lutas, seus sofrimentos e suas visões. Margaret Atwood conduz o leitor com uma sinceridade visceral, que incomoda e inquieta. Conheçam.

Os contos que começam acompanham mulheres ao longo do século passado, passando por diversas décadas e diversos cenários, focando ora no período de transição da mulher de casa para a mulher que trabalhava e mais livre sexualmente. Tendo algumas cidades por cenário Atwood a cada conto volta-se para o seu Canadá natal e usa sua familiaridade com cidades como Toronto e Quebec para construir o retrato de suas mulheres e seus sonhos esquecidos, suas escolhas e suas personalidades únicas.

O primeiro conto "Lixo Verdadeiro" sobre um acampamento de verão para garotos e suas garçonetes já indica pelo tom o que vem mais a frente. Garotos de 12 a 14 anos se divertem observando as garçonetes de 17, 18 anos se bronzeando ao sol no horário de folga, ora de roupas de banho, ora nuas elas leem revistas e conversam enquanto os garotos escondem-se pelas moitas e espiam pelo único binóculo que possuem. Joanne observa a todas e fica ao mesmo tempo irritada e intrigada com Ronette, a mais esbelta e livre delas. Porém o preço dessa liberdade é caro e como uma história de romance barata Joanne acaba percebendo que não é tão feliz quanto aparenta. Através das entrelinhas ficamos com o retrato quebrado de Ronette e suas escolhas. Fato que se repete nos contos "Bola de Cabelo", "O Homem do Brejo", "A Era do Chumbo" e no conto que dá nome a antologia "Dicas da Imensidão", histórias de mulheres, escolhas e homens que retratam bem o que a mulher tem de enfrentar no mundo ainda hoje, indo além do desenho comum que temos do preconceito, Atwood recorta a realidade e a eterniza em cada um desses contos.

Já nos contos "Ìsis na Escuridão", "Morte por Paisagem", "Tios", "Peso", e "Quarta-feira Inútil" a autora muda um pouco o foco, para mulheres cuja independência não era tão real, era amarga e confusa. Seja na escolha pelo fim, seja na solidão forjada ou no impacto da violência repentina com alguém que era o retrato de mulher forte.

Explorando metáforas, desconstruindo a vida dessas mulheres, sua vulnerabilidade e principalmente sua melancolia em comum a autora através de uma escrita marcante, que consegue captar o menor dos detalhes, seja em uma expressão ou gesto perturba o leitor com a voz dessas mulheres. São diversas mulheres marcadas por suas experiências, cansadas do enfrentamento constante que é a vida de uma mulher. Leitura que flui em um ritmo diferente e cativa o leitor com a surpresa incomoda ao fim de cada conto, a sensação de "eu já vi isso antes", seja em notícias de jornais ou relatos de amigas e/ou conhecidas. Atwood acerta em cheio a ferida e é com um sorriso irônico concordamos com seus contos e a ironia contida em cada um deles.

A edição da Rocco está ótima, um tradução cuidadosa e uma arte bonita que casa muito bem com a história. Recomendo a todas as leitoras do blog, seja jovem ou seja mais velha, assim como para os amantes dos contos e para aqueles leitores que querem um ponto de vista inquietante sobre a vida. Um dos melhores livros de conto que já li. Leiam! Surpreendam-se! Até mais!


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27/02/2017

Resenha - 30 e Poucos Anos e Uma Máquina do Tempo


Nome: 30 e Poucos Anos e Uma Máquina do Tempo
No Original: Every Anxious Wave
Autor (a): Mo Daviau
Tradutor (a): Edmundo Barreiros
Páginas: 304
Editora: Fábrica 231
Comprar: Amazon - Submarino - Saraiva - Cultura
Sinopse: Imagine poder viajar no tempo para assistir a qualquer grande show da história: os Beatles no Shea Stadium ou no telhado da Apple Records, o Nirvana em um bar minúsculo de Seattle ou Miles Davis no lendário clube Birdland. A norte-americana Mo Daviau transformou esse desejo em realidade no engenhoso 30 e poucos anos e uma máquina do tempo, uma espécie de cruzamento entre De volta para o futuro e Alta fidelidade protagonizado por Karl e Wayne, dois amigos de meia-idade que descobrem um meio de voltar no tempo para assistir a shows incríveis, e a ganhar dinheiro com o negócio. Tudo vai bem até que Wayne decide o óbvio: interferir no passado. Afinal, quem dispensaria a chance de reescrever uma ou outra linha da própria história? Movido a música e romance, 30 e poucos anos e uma máquina do tempo é uma espirituosa, e um tanto nostálgica, reflexão sobre sonhos, escolhas de vida e a passagem do tempo.

Viagem no tempo e música. Como não ficar curiosa com um livro que traz estes dois tópicos? Contudo o livro de Mo Daviau vai muito além da aparente ficção científica. Não se deixe enganar colocando o livro sob um rótulo. "30 e Poucos Anos e Uma Máquina do Tempo" é tudo, menos apenas mais um livro de ficção científica. Daviau surpreende o leitor com uma história de escolhas e encontros, que mostra que as vezes mesmo que tudo dê errado, não interessa o caminho, o único resultado possível é o encontro de duas pessoas. Conheçam a história de Karl e Lena, uma história que começa com um número errado e um buraco de minhoca em um armário.

Tudo começou quando Karl caiu em um buraco enquanto procurava um coturno e foi parar no meio de um show de rock nos anos 90. Dono do bar "Dictator's Club" e membro de uma banda de rock desfeita a vida de Karl mudou depois que Wayne entrou no bar e o reconheceu. Ele aparecia todas as noites, ajudava limpar antes de fechar e eles conversavam sobre rock e a nostalgia de antigos shows perdidos e/ou que não voltam mais. Quando descobriu o buraco de minhoca em seu closet Karl nã tinha ideia do que ele o traria. Wayne mergulhou em computadores e criou um programa para ajudá-los a programar as viagens através do buraco. Ambos usavam apenas para assistir shows de suas bandas favoritas e assim começou a levar pessoas a diversos shows por uma quantia em dinheiro. O problema começou quando Wayne decidiu que ia usar o buraco para mais do que assistir shows. Ele queria mudar algo, queria salvar John Lennon. Ele era um pacifista e um músico único e Wayne acreditava que ele sobrevivendo todo o resto mudaria para melhor. Apesar de muito puto com o amigo Karl concorda, mas em uma brincadeira do universo ele digita 980 ao invés de 1980 e Wayne se vê no meio de uma floresta, no inverno, sem nada a sua volta. Quase um milênio antes da inveção da energia elétrica ele não tem como carregar sua volta e manda Karl atrás de um astrofísico. O problema é como Karl vai convencer um astrofísico que viajar no tempo é realmente possível e principalmente que tem um buraco de minhoca bem em seu armário? É aí que entra Lena. A única astrofísica com camisa de banda no site da universidade.

É a partir desse encontro que tudo se encaixa e o que era apenas diversão vira algo muito maior. Através da narrativa em primeira pessoa Mo Daviau constrói uma história audaciosa, que foge do comum e de maneira simples mostra que cada encontro que temos em nossas vidas é capaz de mudar tudo. Uma simples frase, uma simples gentileza pode marcar a vida de uma pessoa. Karl, o protagonista é um sujeito de ironia nata, visão um tanto amarga da realidade, inteligente e preso as escolhas que fez. Sua voz narrativa consegue cativar o leitor e a cada capítulo ficamos mais curiosos para saber onde tudo vai terminar.

A autora leva o leitor por certezas estranhas e a cada página mostra que sua história é mais uma alegoria sobre destinos, nostalgia e escolhas. Até onde sacrificaríamos a nossa vida para a vida de quem amamos seja boa e sem grandes sofrimentos? Se viagem no tempo fosse possível será que conseguiríamos ficar inertes diante das possibilidades? Mudar o passado sacrificando a própria felicidade ou mudar o passado para encontrar a felicidade? Karl é um protagonista único, um tanto confuso, com uma escolha difícil e que o torna passível de identificação para qualquer leitor. Ao final Karl com sua nostalgia e suas escolhas mostra ao leitor que na maioria das vezes o caminho pode ser diferente, mas o resultado é o mesmo, não adianta fugir dele, nem se desesperar pensando que não vai encontrá-lo.

A edição da Fábrica 231 está bem legal, a capa ficou retrô elegante e a textura do livro é lisa, diferente dos últimos livros que tenho visto, dando um visual bem único ao livro. Recomendo aos que querem um romance diferente, atual, que fala de escolhas, sonhos e as possibilidades de um destino que não controlamos. Com personagens interessantes e um ritmo cativante a história contada por Mo Daviau vai conquistar o leitor que quer algo diferente e criativo, caótico e simples. Leiam e se surpreendam! Até mais!

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17/02/2017

Resenha - Crave A Marca


Nome: Crave A Marca
No Original: Crave The Mark
Autor (a): Veronica Roth
Tradutor (a): Petê Rissatti
Páginas: 480
Editora: Roccot
Comprar: Submarino - Amazon - Saraiva - Cultura
Sinopse: Crave a marca chega às livrarias brasileiras pelo selo Rocco Jovens Leitores, responsável pela publicação de Divergente no país, e já está disponível para pré-venda. Primeiro de uma série de fantasia e ficção científica, o livro conta a história de dois jovens de origens e dons distintos – Cyra Noavek e Akos Kereseth – cujos destinos se cruzam de forma decisiva num planeta em guerra. Crave a marca surpreenderá não só os fãs de Veronica Roth, mas também de clássicos sci-fi como Star Wars.

Quando soube que Veronica Roth lançaria um livro e que era o primeiro de uma nova trilogia prometi que não iria ler. Ainda estava e ainda estou frustrada com o que ela fez no último livro de Divergente, mudando a personalidade de quase todo mundo e fazendo escolhas apenas para chocar ao invés de encerrar a trilogia de um modo adulto e crível. Contudo não resisti quando vi o cenário de sua nova trilogia: espaço. Com planetas diferentes e uma mitologia que parecia diferente de tudo o que eu havia encontrado Veronica Roth começa seu novo livro apostando alto em um universo diferente, grande e que arrisca com elementos próprios, no meio de muitas coisas que conhecemos de outras paradas. Crave A Marca é audacioso, mas tem seus problemas se você olhar mais a fundo. Conheçam.

Shotet e Thuvhesit, dois povos dividindo um planeta, dois povos com culturas diferentes, e no meio Cyra dos Shotet e Akos dos Thuvhesit. Roubado de rua casa para servir na família de Cyra depois de sua fortuna ser revelada Akos tenta se adaptar enquanto um mundo de intrigas políticas, rivalidades tribais e desavenças de gerações se desenrolaram. Cyra desde cedo lida com o que aparenta ser um dom, mas que torna sua vida uma dor completa. Não há um só dia que ela não sinta dor. Usada como arma por seu irmão ela leva na pele as marcas das vidas que já tirou, como manda a tradição Shotet. Quando as intrigas e as rivalidades não só de seu planeta falam mais alto Cyra e Akos vão ser pegos no meio da confusão. E ao final o preço pago pelos dois pode ser alto demais...

A narrativa é ágil e alternada, com belas descrições e uma ambientação vívida, que cativa o leitor e surpreende com elementos variados da ficção científica numa trama política que me lembrou space operas e por esse aspecto Roth não deixa a desejar, porém o que pegou para mim no livro foi um pouco a glamour que atribuem a dor crônica. Eu passo por isso faz anos e não tem nada de glamour em viver uma vida irritada e sem sossego. Cyra é uma personagem que parece mais forte do que é e a forma como é colocada a questão do seu dom deixa bem aberta o problema de parecer mais fácil e uma coisa feliz ter essa "oportunidade" de carregar a dor. Entendo os aspectos culturais que a autora tenta aplicar quando fala do dom da protagonista, mas não desceu bem. Ok, dor deixa as pessoas resilientes, mas o caminho até lá não é bonito.

Por mais que o livro tenho um bom ritmo, uma história intrincada e que consegue despertar a curiosidade você ainda pode ver o problema dos estereótipos de raça e religião. Roth peca ao cair nesses estereótipos e perde uma chance enorme, porque sua história é audacioso, os planetas, os diferentes povos, a corrente, é tudo intrigante e ficamos curiosos. O problema é passar por cima e fazer vista grossa para algumas passagens e alguns comentários dos protagonistas, assim como algumas descrições que reforçam o velho "negro, selvagem e mau", "branco, culto e bom". É uma pena que a autora tenha se descuidado e deixado passar, ou eu espero que sim, que seja descuido.

Leitura que flui em ritmos diferentes, ora rápida, ora lenta, instiga o leitor até o fim e terminamos curiosos para mais. É quando você começa a pensar no livro após a leitura é que fica a impressão de que tem algo que não bate. Aguardo o próximo livro não só pela trama como por esses detalhes, para ver o que Roth vai fazer a respeito visto que pelas resenhas o comentário tem sido geral. A edição da Rocco está perfeita, capa muito bem adaptada, tradução cuidadosa e timing perfeito. Recomendo aos que gostam de ficção científica misturada com um toque de fantasia, um universo semelhante a muitos, mais diferente, que consegue inovar, mas esteja atentos aos detalhes citados acima. Leiam e decidam! Até mais!

Trilogia Crave A Marca - Veronica Roth
1- Crave A Marca
2- Sem Título Ainda
3- Sem Título Ainda

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