02/04/2017

Resenha - Uma Pequena Mentira


Nome: Uma Pequena Mentira
No Original: One Tiny Lie
Autor (a): K. A. Tucker
Tradutor (a): Alice Klesck
Páginas: 352
Editora: Fábrica 231
Comprar: Amazon - Submarino - Saraiva - Cultura
Sinopse: Livie, a mais centrada das irmãs Cleary, segurou as pontas após a morte dos pais num acidente em que Kacey, a mais velha, foi a única sobrevivente, e cuidou da irmã quando ela caiu em depressão. Aos poucos, Kacey superou seus traumas e encontrou a felicidade, enquanto Livie se dedicava aos estudos. Agora, no segundo do livro da série de sucesso Ten Tiny Breaths, K. A. Tucker joga o foco de sua envolvente narrativa sobre a caçula. Livie acaba de ingressar na tradicional Universidade de Princeton e está pronta para viver as emoções típicas de uma caloura, o que inclui frequentar as festas no campus, fazer novos amigos e encontrar um namorado bacana com quem possa tecer planos para o futuro. Ela só não esperava se envolver justamente com um cara como Ashton Henley, o capitão do time de remo com fama de garanhão. Com medo de ser apenas mais uma na lista de conquistas de Ashton, Livie tenta agir com a razão, como sempre fez. Mas até que ponto vale a pena dominar seus sentimentos por medo de se machucar? Uma pequena mentira é mais um livro da coleção Curti, para quem não abre mão de uma boa história romântica.

Desde que comecei a ler new adult e passava os fins de semana no Goodreads lendo sinopses e imaginando o que vinha por aí que a série Ten Tiny Breaths está na minha lista, por isso quando li Respire adorei confirmar o que eu esperava: que a série tem tudo para ser muito boa. A Rocco surpreendendo o leitor traz o segundo livro pouco depois e Uma Pequena Mentira segue com uma história forte, de pessoas quebradas e escolhas difíceis. Conheçam o segundo livro da série e descubra porque K.A. Tucker é uma autora que você deveria ler.

Livie é a irmã de Kacey, protagonista do primeiro livro e diferente de sua irmã lidou bem diferente com a morte trágica dos pais. Talvez por ser mais nova, talvez por se agarrar com tantas forças a decisão de estudar em Princeton e formar pediatra com especialização em oncologia. Era sua última ligação com o pai, como uma promessa, algo que ela poderia fazer tendo certeza que ele aprovaria. Porém ao entrar em Princeton Livie percebe que a vida não segue planos. Na primeira semana ela conhece Ashton, capitão do time de remo. O fato de sua colega de quarto Reagan ser filha do treinador não ajuda muito e menos ainda que Connor seja do time, e amigo de Ashton. Desde a festa de boas-vindas desastrosa com sua irmã que Livie tenta esquecer Ashton. Connor parece tudo o que seu pai iria querer para ela. Ashton tem namorada, é mentiroso e tem a pior fama do campus, mas Livie acaba percebendo que as aparências enganam, e por trás de uma pequena mentira existe um mundo bem feito e complicado. Depois de toda a dor que passou com os pais e vendo Kacey se afundar nessa dor ela sabe bem que Ashton está longe de ser quem todo mundo pensa. Mas será que existe saída no meio de tanta dor e sofrimento? Livie se vê arrastada para uma situação impensável e para piorar a cada dia que passa ela sabe que medicina não foi feito para ela.

Esse é o ponto de partida da história de Livie e devo dizer que a narrativa em primeira pessoa não ficou devendo em nada. Tucker é uma autora que consegue destruir o leitor com sua histórias e personagens complicados. Adoraria algumas capítulos narrados por Ashton e juro que adoraria ver o pai dele queimar no inferno. Mas deixando essa parte de lado para não estragar as surpresas devo dizer que acabei gostando da irmã da Kacey. Livie é um pouco vaga no começo, mas consegue dar voz a uma história própria e logo nos primeiros capítulos estamos envolvidos em sua história. Primeiro por ela e depois por Ashton, e por todo o resto.

A narrativa da autora é envolvente e o modo como dá voz a Livie instiga o leitor assim como as pequenas descrições e a ambientação vivaz. Depois que começamos é impossível largar antes de descobrir tudo. Leitura rápida e que deixa o leitor querendo mais de vários personagens. A edição da Fábrica 231 está perfeita, desde a tradução até a adaptação da capa. Recomendo a todos que gostam de um bom new adult, e também aos que ainda não conhecem o gênero ou só procuram uma bela história de como pessoas partidas podem surpreender. A série pode ser começada do segundo livro sem problemas. Depois de lê-lo é certeza que vai procurar o primeiro... Leiam! Até mais!

Ten Tiny Breaths - K.A. Tucker
1- Respire
2- Uma Pequena Mentira
3- Four Seconds To Lose
4- Five Ways To Fall

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01/03/2017

Resenha - Dicas da Imensidão


Nome: Dicas da Imensidão
No Original: Wilderness Tip
Autor (a): Margaret Atwood
Tradutor (a): Ana Deiró
Páginas: 240
Editora: Rocco
Comprar: Amazon - Submarino - Saraiva - Cultura
Sinopse: Aos 77 anos, ela é ativa nas redes sociais, onde frequentemente expõe suas opiniões sobre temas como feminismo, meio ambiente, política e economia, assuntos presentes também em toda a sua extensa obra literária. Nesta coletânea de contos protagonizados por personagens femininas marcantes que inaugura o novo projeto gráfico para a obra da escritora pela Rocco, assinado pelo ilustrador Laurindo Feliciano, a canadense Margaret Atwood mostra mais uma vez por que é uma das principais vozes da literatura em língua inglesa contemporânea. São dez narrativas em que a fauna humana se apresenta em toda a sua banalidade e excepcionalidade, em que situações inquietantes subitamente desestabilizam o cotidiano de pessoas comuns, iluminando o instante único capaz de moldar uma vida inteira. Manejando com extrema habilidade os sentimentos, desejos, as frustrações e memórias de suas personagens, a escritora conduz o leitor por uma teia de histórias que falam da beleza e do mistério da condição humana.

Contos. O que falar de contos? Eu os amo e não canso de repetir isso a cada resenha e para uma leitora apaixonada por contos nada mais gostoso e gratificante do que se deparar com um livros de contos inteiramente original, diferente de tudo o que já havia lido no gênero. Dicas da Imensidão reúne dez contos espetaculares sobre a mulher e suas lutas, seus sofrimentos e suas visões. Margaret Atwood conduz o leitor com uma sinceridade visceral, que incomoda e inquieta. Conheçam.

Os contos que começam acompanham mulheres ao longo do século passado, passando por diversas décadas e diversos cenários, focando ora no período de transição da mulher de casa para a mulher que trabalhava e mais livre sexualmente. Tendo algumas cidades por cenário Atwood a cada conto volta-se para o seu Canadá natal e usa sua familiaridade com cidades como Toronto e Quebec para construir o retrato de suas mulheres e seus sonhos esquecidos, suas escolhas e suas personalidades únicas.

O primeiro conto "Lixo Verdadeiro" sobre um acampamento de verão para garotos e suas garçonetes já indica pelo tom o que vem mais a frente. Garotos de 12 a 14 anos se divertem observando as garçonetes de 17, 18 anos se bronzeando ao sol no horário de folga, ora de roupas de banho, ora nuas elas leem revistas e conversam enquanto os garotos escondem-se pelas moitas e espiam pelo único binóculo que possuem. Joanne observa a todas e fica ao mesmo tempo irritada e intrigada com Ronette, a mais esbelta e livre delas. Porém o preço dessa liberdade é caro e como uma história de romance barata Joanne acaba percebendo que não é tão feliz quanto aparenta. Através das entrelinhas ficamos com o retrato quebrado de Ronette e suas escolhas. Fato que se repete nos contos "Bola de Cabelo", "O Homem do Brejo", "A Era do Chumbo" e no conto que dá nome a antologia "Dicas da Imensidão", histórias de mulheres, escolhas e homens que retratam bem o que a mulher tem de enfrentar no mundo ainda hoje, indo além do desenho comum que temos do preconceito, Atwood recorta a realidade e a eterniza em cada um desses contos.

Já nos contos "Ìsis na Escuridão", "Morte por Paisagem", "Tios", "Peso", e "Quarta-feira Inútil" a autora muda um pouco o foco, para mulheres cuja independência não era tão real, era amarga e confusa. Seja na escolha pelo fim, seja na solidão forjada ou no impacto da violência repentina com alguém que era o retrato de mulher forte.

Explorando metáforas, desconstruindo a vida dessas mulheres, sua vulnerabilidade e principalmente sua melancolia em comum a autora através de uma escrita marcante, que consegue captar o menor dos detalhes, seja em uma expressão ou gesto perturba o leitor com a voz dessas mulheres. São diversas mulheres marcadas por suas experiências, cansadas do enfrentamento constante que é a vida de uma mulher. Leitura que flui em um ritmo diferente e cativa o leitor com a surpresa incomoda ao fim de cada conto, a sensação de "eu já vi isso antes", seja em notícias de jornais ou relatos de amigas e/ou conhecidas. Atwood acerta em cheio a ferida e é com um sorriso irônico concordamos com seus contos e a ironia contida em cada um deles.

A edição da Rocco está ótima, um tradução cuidadosa e uma arte bonita que casa muito bem com a história. Recomendo a todas as leitoras do blog, seja jovem ou seja mais velha, assim como para os amantes dos contos e para aqueles leitores que querem um ponto de vista inquietante sobre a vida. Um dos melhores livros de conto que já li. Leiam! Surpreendam-se! Até mais!


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27/02/2017

Resenha - 30 e Poucos Anos e Uma Máquina do Tempo


Nome: 30 e Poucos Anos e Uma Máquina do Tempo
No Original: Every Anxious Wave
Autor (a): Mo Daviau
Tradutor (a): Edmundo Barreiros
Páginas: 304
Editora: Fábrica 231
Comprar: Amazon - Submarino - Saraiva - Cultura
Sinopse: Imagine poder viajar no tempo para assistir a qualquer grande show da história: os Beatles no Shea Stadium ou no telhado da Apple Records, o Nirvana em um bar minúsculo de Seattle ou Miles Davis no lendário clube Birdland. A norte-americana Mo Daviau transformou esse desejo em realidade no engenhoso 30 e poucos anos e uma máquina do tempo, uma espécie de cruzamento entre De volta para o futuro e Alta fidelidade protagonizado por Karl e Wayne, dois amigos de meia-idade que descobrem um meio de voltar no tempo para assistir a shows incríveis, e a ganhar dinheiro com o negócio. Tudo vai bem até que Wayne decide o óbvio: interferir no passado. Afinal, quem dispensaria a chance de reescrever uma ou outra linha da própria história? Movido a música e romance, 30 e poucos anos e uma máquina do tempo é uma espirituosa, e um tanto nostálgica, reflexão sobre sonhos, escolhas de vida e a passagem do tempo.

Viagem no tempo e música. Como não ficar curiosa com um livro que traz estes dois tópicos? Contudo o livro de Mo Daviau vai muito além da aparente ficção científica. Não se deixe enganar colocando o livro sob um rótulo. "30 e Poucos Anos e Uma Máquina do Tempo" é tudo, menos apenas mais um livro de ficção científica. Daviau surpreende o leitor com uma história de escolhas e encontros, que mostra que as vezes mesmo que tudo dê errado, não interessa o caminho, o único resultado possível é o encontro de duas pessoas. Conheçam a história de Karl e Lena, uma história que começa com um número errado e um buraco de minhoca em um armário.

Tudo começou quando Karl caiu em um buraco enquanto procurava um coturno e foi parar no meio de um show de rock nos anos 90. Dono do bar "Dictator's Club" e membro de uma banda de rock desfeita a vida de Karl mudou depois que Wayne entrou no bar e o reconheceu. Ele aparecia todas as noites, ajudava limpar antes de fechar e eles conversavam sobre rock e a nostalgia de antigos shows perdidos e/ou que não voltam mais. Quando descobriu o buraco de minhoca em seu closet Karl nã tinha ideia do que ele o traria. Wayne mergulhou em computadores e criou um programa para ajudá-los a programar as viagens através do buraco. Ambos usavam apenas para assistir shows de suas bandas favoritas e assim começou a levar pessoas a diversos shows por uma quantia em dinheiro. O problema começou quando Wayne decidiu que ia usar o buraco para mais do que assistir shows. Ele queria mudar algo, queria salvar John Lennon. Ele era um pacifista e um músico único e Wayne acreditava que ele sobrevivendo todo o resto mudaria para melhor. Apesar de muito puto com o amigo Karl concorda, mas em uma brincadeira do universo ele digita 980 ao invés de 1980 e Wayne se vê no meio de uma floresta, no inverno, sem nada a sua volta. Quase um milênio antes da inveção da energia elétrica ele não tem como carregar sua volta e manda Karl atrás de um astrofísico. O problema é como Karl vai convencer um astrofísico que viajar no tempo é realmente possível e principalmente que tem um buraco de minhoca bem em seu armário? É aí que entra Lena. A única astrofísica com camisa de banda no site da universidade.

É a partir desse encontro que tudo se encaixa e o que era apenas diversão vira algo muito maior. Através da narrativa em primeira pessoa Mo Daviau constrói uma história audaciosa, que foge do comum e de maneira simples mostra que cada encontro que temos em nossas vidas é capaz de mudar tudo. Uma simples frase, uma simples gentileza pode marcar a vida de uma pessoa. Karl, o protagonista é um sujeito de ironia nata, visão um tanto amarga da realidade, inteligente e preso as escolhas que fez. Sua voz narrativa consegue cativar o leitor e a cada capítulo ficamos mais curiosos para saber onde tudo vai terminar.

A autora leva o leitor por certezas estranhas e a cada página mostra que sua história é mais uma alegoria sobre destinos, nostalgia e escolhas. Até onde sacrificaríamos a nossa vida para a vida de quem amamos seja boa e sem grandes sofrimentos? Se viagem no tempo fosse possível será que conseguiríamos ficar inertes diante das possibilidades? Mudar o passado sacrificando a própria felicidade ou mudar o passado para encontrar a felicidade? Karl é um protagonista único, um tanto confuso, com uma escolha difícil e que o torna passível de identificação para qualquer leitor. Ao final Karl com sua nostalgia e suas escolhas mostra ao leitor que na maioria das vezes o caminho pode ser diferente, mas o resultado é o mesmo, não adianta fugir dele, nem se desesperar pensando que não vai encontrá-lo.

A edição da Fábrica 231 está bem legal, a capa ficou retrô elegante e a textura do livro é lisa, diferente dos últimos livros que tenho visto, dando um visual bem único ao livro. Recomendo aos que querem um romance diferente, atual, que fala de escolhas, sonhos e as possibilidades de um destino que não controlamos. Com personagens interessantes e um ritmo cativante a história contada por Mo Daviau vai conquistar o leitor que quer algo diferente e criativo, caótico e simples. Leiam e se surpreendam! Até mais!

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17/02/2017

Resenha - Crave A Marca


Nome: Crave A Marca
No Original: Crave The Mark
Autor (a): Veronica Roth
Tradutor (a): Petê Rissatti
Páginas: 480
Editora: Roccot
Comprar: Submarino - Amazon - Saraiva - Cultura
Sinopse: Crave a marca chega às livrarias brasileiras pelo selo Rocco Jovens Leitores, responsável pela publicação de Divergente no país, e já está disponível para pré-venda. Primeiro de uma série de fantasia e ficção científica, o livro conta a história de dois jovens de origens e dons distintos – Cyra Noavek e Akos Kereseth – cujos destinos se cruzam de forma decisiva num planeta em guerra. Crave a marca surpreenderá não só os fãs de Veronica Roth, mas também de clássicos sci-fi como Star Wars.

Quando soube que Veronica Roth lançaria um livro e que era o primeiro de uma nova trilogia prometi que não iria ler. Ainda estava e ainda estou frustrada com o que ela fez no último livro de Divergente, mudando a personalidade de quase todo mundo e fazendo escolhas apenas para chocar ao invés de encerrar a trilogia de um modo adulto e crível. Contudo não resisti quando vi o cenário de sua nova trilogia: espaço. Com planetas diferentes e uma mitologia que parecia diferente de tudo o que eu havia encontrado Veronica Roth começa seu novo livro apostando alto em um universo diferente, grande e que arrisca com elementos próprios, no meio de muitas coisas que conhecemos de outras paradas. Crave A Marca é audacioso, mas tem seus problemas se você olhar mais a fundo. Conheçam.

Shotet e Thuvhesit, dois povos dividindo um planeta, dois povos com culturas diferentes, e no meio Cyra dos Shotet e Akos dos Thuvhesit. Roubado de rua casa para servir na família de Cyra depois de sua fortuna ser revelada Akos tenta se adaptar enquanto um mundo de intrigas políticas, rivalidades tribais e desavenças de gerações se desenrolaram. Cyra desde cedo lida com o que aparenta ser um dom, mas que torna sua vida uma dor completa. Não há um só dia que ela não sinta dor. Usada como arma por seu irmão ela leva na pele as marcas das vidas que já tirou, como manda a tradição Shotet. Quando as intrigas e as rivalidades não só de seu planeta falam mais alto Cyra e Akos vão ser pegos no meio da confusão. E ao final o preço pago pelos dois pode ser alto demais...

A narrativa é ágil e alternada, com belas descrições e uma ambientação vívida, que cativa o leitor e surpreende com elementos variados da ficção científica numa trama política que me lembrou space operas e por esse aspecto Roth não deixa a desejar, porém o que pegou para mim no livro foi um pouco a glamour que atribuem a dor crônica. Eu passo por isso faz anos e não tem nada de glamour em viver uma vida irritada e sem sossego. Cyra é uma personagem que parece mais forte do que é e a forma como é colocada a questão do seu dom deixa bem aberta o problema de parecer mais fácil e uma coisa feliz ter essa "oportunidade" de carregar a dor. Entendo os aspectos culturais que a autora tenta aplicar quando fala do dom da protagonista, mas não desceu bem. Ok, dor deixa as pessoas resilientes, mas o caminho até lá não é bonito.

Por mais que o livro tenho um bom ritmo, uma história intrincada e que consegue despertar a curiosidade você ainda pode ver o problema dos estereótipos de raça e religião. Roth peca ao cair nesses estereótipos e perde uma chance enorme, porque sua história é audacioso, os planetas, os diferentes povos, a corrente, é tudo intrigante e ficamos curiosos. O problema é passar por cima e fazer vista grossa para algumas passagens e alguns comentários dos protagonistas, assim como algumas descrições que reforçam o velho "negro, selvagem e mau", "branco, culto e bom". É uma pena que a autora tenha se descuidado e deixado passar, ou eu espero que sim, que seja descuido.

Leitura que flui em ritmos diferentes, ora rápida, ora lenta, instiga o leitor até o fim e terminamos curiosos para mais. É quando você começa a pensar no livro após a leitura é que fica a impressão de que tem algo que não bate. Aguardo o próximo livro não só pela trama como por esses detalhes, para ver o que Roth vai fazer a respeito visto que pelas resenhas o comentário tem sido geral. A edição da Rocco está perfeita, capa muito bem adaptada, tradução cuidadosa e timing perfeito. Recomendo aos que gostam de ficção científica misturada com um toque de fantasia, um universo semelhante a muitos, mais diferente, que consegue inovar, mas esteja atentos aos detalhes citados acima. Leiam e decidam! Até mais!

Trilogia Crave A Marca - Veronica Roth
1- Crave A Marca
2- Sem Título Ainda
3- Sem Título Ainda

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15/02/2017

Resenha - Dartana


Nome: Dartana
Autor (a): André Vianco
Páginas: 784
Editora: Fábrica 231
Comprar: Submarino - Amazon - Saraiva - Cultura
Sinopse: Novo livro do escritor e roteirista André Vianco, um dos maiores nomes da fantasia nacional, Dartana apresenta um mundo retalhado entre vida e morte, fé e descrença, mitologias e mentiras. No primeiro de uma trilogia, Dartana é um planeta castigado por uma maldição da qual somente as feiticeiras escapam. Quando um novo deus da guerra surge, muitos habitantes daquele mundo sombrio marcham com ele rumo ao Combatheon, uma plataforma de guerra que representa sua única chance de se libertar da terrível maldição. Esbanjando criatividade e domínio narrativo, André Vianco constrói uma obra surpreendente em que deuses guerreiros, feiticeiras, soldados e construtores se unem para forjar um novo mundo.

Sou apaixonada por fantasia e ficção científica e isso é um fato que cada vez mais marca minhas leituras e resenhas visto que a faculdade toma muito tempo, e cada minuto livre é precioso demais para não ser gasto com os livros que mais gostamos. Apesar de grande aficionada de ambos os gêneros o número de nacionais entre minhas leituras ainda é ridiculamente perto do zero por isso quando li a sinopse de Dartana e o conceito chamou minha atenção não esperei muito para solicitá-lo. Era uma loucura solicitar um livro tão grande com a reposição da greve aí e tanta coisa para fazer, mas estava curiosa. André Vianco está entre os autores que mais me recomendam e foi no mínimo diferente finalmente conhecê-lo. Dartana é o começo audacioso de uma complexa trilogia e se você, assim como eu, quer ler mais livros nacionais, conheçam o universo de Dartana e do Combatheon.

Dartana é um mundo onde o conhecimento não é absorvido. Onde os habitantes vivem na constante névoa na cabeça e tudo é um mistério. Onde a mais simples das coisas quando demonstrado pelas feiticeiras pode encantar e muitas vezes leva Jeliath a se perguntar como não pensara naquilo para logo em seguida xingar a maldição que atormenta todo o povo de Dartana: a maldição do pensamento. Enquanto um deus da guerra forte o suficiente não vier e conduzir o exército do povo de Dartana pelo portal para o Combatheon, um mundo plataforma onde deuses e exércitos de vários mundos devem lutar para vencer e assim quebrar a maldição, levando o conhecimento para seus planetas. Desde cedo a mente inquieta de Jeliath chamou atenção das feiticeiras de Dartana, que cuidavam do Hangar onde a semente de cada deus surgia. Jeliath virou pastor e ajudante delas, e ficar perto delas era estar mais próximo do conhecimento, aquilo que elas chamavam de inteligência. As feiticeiras tentavam explicar o povo sobre o pensar, sobre o saber, mas nada do que chegava ao povo permanecia, a maldição não deixava e o fascínio era apenas uma sensação vaga. Quando o deus Belenus surge no Hangar com sua luz dourada é hora de Dartana marchar mais uma vez. Ao lado das feiticeiras, dos construtores, de seus generais e dos soldados Belenus marcha através do portal.

No Combatheon as vidas de Jeliath agora indicado como construtor, Dabbynne recém descoberta feiticeira, Parthen e Thaidena como soldados e Mander como general mudarão para sempre entrelaçadas com as vidas do cético Álvaro, sua irmã Glaucia e sua sobrinha Doralice no planeta Terra, em uma história que parecia simples, ir ao Combatheon e vencer, se torna complicada e cheia de verdades mal contadas e perigos mortais.

Esse é o ponto de partida da audaciosa trama de Dartana, primeiro livro da trilogia do autor André Vianco. O livro logo no começo é uma surpresa, com uma premissa que mostra ao que veio sem enrolação. Um planeta sem conhecimento, um povo sem o pensar e o saber, um deus da guerra que surge de tempos em tempos, um planeta arena e uma missão a cumprir. Contudo como as 784 páginas já indicam logo que você vê o livro Dartana é tudo menos simples e a objetividade do começo é apenas um artifício que conduz o leitor a mais perguntas e a um novo cenário bem diferente do que o que imaginamos pelos capítulos iniciais.

Com uma narrativa fluída, personagens que a cada capítulo crescem e se tornam mais complicados e uma ambientação vívida Dartana é uma obra corajosa, minuciosa, que explora deuses de diversas mitologias de forma intricada e rica. A prosa de Vianco me surpreendeu e me cativou muito rápido, o que é raro para um livro de tantas páginas. A edição da Fábrica 231 está perfeita, fonte muito confortável e a fluidez da trama torna o tamanho do livro irrelevante, somos conduzidos de forma natural pela história e o que fica é a curiosidade pelos próximos livros. Recomendo a quem busca um livro diferente, ficção científica? Sim, porém é bastante única. Com traços de fantasia? Poucos, mas interessantes. Leiam, se surpreendam e se encantem, de batalhas passando por amizades e descobertas! Até mais!

Combatheon - André Vianco
1- Dartana
2- Sem Título Ainda
3- Sem Título Ainda

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13/01/2017

Resenha - Recomeços


Nome: Recomeços
No Original: Twisted
Autor (a): K.A. Robinson
Tradutor (a): Ryta Vinagre
Páginas: 320
Editora: Fábrica 231
Comprar: Submarino - Amazon - Saraiva - Cultura
Sinopse: No segundo livro da série Torn, que faz parte da coleção Curti, voltada para quem não abre mão de uma boa história romântica com final feliz, Chloe Richards tem que encarar um difícil reencontro com sua mãe, com quem sempre teve uma relação complicada, e superar muitas dificuldades para manter o relacionamento com Drake Allen, o charmoso vocalista de uma banda de rock que ela conheceu em seu primeiro dia na universidade. Depois de Cicatrizes, K.A. Robinson põe sua protagonista frente a frente com o passado, o que inclui não só um acerto de contas com Andrea Richards, mas também um antigo namorado que vai ajudar Chloe nessa missão, despertando o ciúme de Drake. E o casal mais uma vez vai precisar contornar uma série de mal-entendidos para, enfim, seguir em frente e recomeçar.

Não tem jeito, sou bastante aficionada por new adult e desde o começo dos lançamentos do gênero aqui no Brasil que era ansiosa para ver a série da autora K.A. Robinson sair por aqui. Torn é uma daquelas séries que se arrisca mais e por isso mesmo que neste segundo livro o que parecia o paraíso logo se transforma. Recomeços dá continuidade a história de Chloe e Drake, se você ainda não conhece a série seja bem-vindo, conheça e comece!

Chloe estava em paz com Drake quando sua mãe resolve aparecer de surpresa com notícias sobre sua tia. A mãe dela nunca fez nada além de atormentá-la e usar drogas, por isso Chole desconfia que há algo mais. A tia dela está morrendo de câncer e aparentemente só vai deixar parte da herança para sua mãe se ela a levasse de volta. Chloe estava planejando seguir com a turnê da banda de Drake, mas diante do pedido da tia ela vai visitá-la. Sem ver o primo Danny e o amigo Jordan há muito tempo Chloe está arrasada de ter de voltar apenas por causa ambição da mãe. Para piorar o clima Drake cisma com Jordan no momento que o vê e dando mais forma a tempestade que se forma o último pedido da tia torna tudo ainda mais complicado. Chloe sabe que ciúmes é a última coisa que uma relação precisa, mas nada parece convencer Drake. Do outro lado Drake sabe muito bem que o jeito que Jordan olha para Chloe está longe de ser amizade e é pior ainda do que desejo. Se não conseguir escapar do ciúme, da influência alheia e de sua imaginação que teima em ver Chloe o deixando por Jordan Drake acabará de volta a velhos e perigosos hábitos. Lidando com a morte da tia, o ciúme de Drake e as loucuras de sua mãe Chloe precisará de força e paciência para sobreviver a tudo sem perder a felicidade que tanto demorou a conquistar.

Esse é o ponto de partida de Recomeços, que com uma narração fluída e ambientação vívida nos conduz pela história da primeira grande tempestade de Chloe e Drake alternando o ponto de vista de ambos enquanto eles enfrentam demônios externos e internos. A autora consegue ir além do drama dos ciúmes para contar essa segunda fase da história de seus protagonistas, deixando claro para o leitor que o difícil nem sempre é se entender, nem sempre é aquele começo de relacionamento. Robinson conduz o leitor e mostra que o difícil é superar cicatrizes antigas, deixar o passado onde ele pertence e confiar de verdade, apesar das pessoas torcendo contra pelo caminho.

A leitura é rápida e instigante, ambos os protagonistas conquistam o leitor no primeiro livro e nessa continuação deixam todos com o coração apertado. K.A. Robinson conta uma história simples, de amor e confiança, e principalmente de recuperação. Mostrando que pessoas quebradas e complicadas também podem ter felicidade. A edição da Fábrica 231 está perfeita, com uma bela capa e super bem caprichada. Recomendo a leitura da série para todos que gostam de um bom new-adult e uma bela história de amor, atual e difícil, simples e complicada. Leiam e se surpreendam! Até mais!

Torn - K.A. Robinson
1- Cicatrizes
2- Recomeços
3- Tainted
4- Toxic
5- Tamed

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08/01/2017

Desafio de Contos - 2017

Olá! Como vai o dia? Quando o blog começou há cinco anos uma das coisas que mais gostava de fazer para matar o tempo e organizar minhas leituras de forma a fugir da zona de conforto era criar desafios ou buscá-los na internet e cumpri-los. Cheguei a postar alguns aqui e lembro que era uma forma ótima de conhecer autores novos e desconhecidos. Por causa da faculdade o tempo tem ficado cada vez mais contado e pensando nisso e na minha paixão por contos resolvi criar o Desafio de Contos.

A ideia é conhecer autores diferentes que mandam muito bem em contos e criar uma ordem no meio do caos que tem sido minha lista de leitura. Buscando na internet encontrei alguns desafios de contos por aí e até mesmo um desafio para autores de contos que acontece há 11 anos em Nova York. Sem me basear em nenhum modelo e depois de algumas dicas no twitter e uma pesquisa básica cheguei a lista de tópicos/regras do desafio, porém antes de postá-la deixo a sugestão para você leitor, que por acaso tem um gênero que goste muito, que queira ler mais dele e seu tempo não estiver ajudando sinta-se bem-vindo a seguir o desafio com o gênero de sua preferência ou com os contos.

Os tópicos para ajudar a guia o desafio são:

05/01/2017

Resenha - Fellside: Estranhos Visitantes


Nome: Fellside - Estranhos Visitantes
No Original: Fellside
Autor (a): M.R. Carey
Tradutor (a): Caco Ishak
Páginas: 464
Editora: Fábrica 231
Comprar: Submarino - Amazon - Saraiva - Cultura
Sinopse: Uma história de terror moderna, perturbadora e emocionante, assinada pelo mestre dos quadrinhos M. R. Carey, pseudônimo de Mike Carey, roteirista de sucessos como X-Men e Hellblazer e autor do cultuado A menina que tinha dons, adaptado para a telona pela Warner Bros (ainda sem previsão de estreia no Brasil). Em seu segundo romance, Carey conta a história de uma mulher que vive em Fellside, uma prisão de segurança máxima localizada nos confins da Inglaterra. Acusada de ter incendiado o seu apartamento e matado por acidente uma criança, Jess Moulson vive afundada em culpa e medo, e sabe que não pode confiar em ninguém ali. Até que começa a ouvir a voz de uma criança. Uma criança morta, que tem uma mensagem para Jess.

Conheci o autor M.R. Carey lendo "A Menina Que Tinha Dons" e tendo me apaixonado pela história não pestanejei ao solicitar Fellside: Estranhos Visitantes. De volta com uma história incomum em um ambiente sufocante o autor mais uma vez surpreende pelo rumo incomum da história, porém ao contrário de seu livro anterior Fellside é uma história menor, voltado para o pessoal de cada personagem, mas ainda assim uma história sombria. Conheçam.

Jess acorda sem saber onde está, um quarto branco, lençóis brancos, mulheres de roupas brancas e nenhuma memória. O rosto está estranho e entre delírios ela acorda para sua nova realidade. Com metade do rosto destruído Jess é acusada de assassinar Alex Beech, seu vizinho, em um incêndio, enquanto tinha uma overdose de heroína ao lado do namorado. Jess sobrecarregada pela culpa e graças ao depoimento de seu namorado é sentenciada e enviada a Fellside, mas para ela não é suficiente, ela quer morrer e assim se livrar da culpa e das memórias. A única maneira de fazer isso é deixando de comer, pois assim nem o Estado e nem a direção da cadeia tem outra opção senão acompanhar e deixá-la morrer. O que Jess não contava é que a beira da morte ela seria visitada por Alex e suas afirmações. Ela tem certeza que é delírio, mas quando o garoto retorna insistindo que Jess não o matou e que ela precisa ajudá-lo a encontrar a verdadeira culpada o mundo de Jess mais uma vez cai. Como é possível Alex estar ali? O que acontece depois da morte? Existe um lugar para onde vamos ou é apenas sua mente culpada? Decidida a descobrir resposta para essas e outras perguntas Jess muda seu plano, mas a vida em Fellside não é fácil. As detentas não morrem de amor por uma mulher sentenciada por assassinato de criança e tem muito mais escondido entre as celas e paredes de Fellside. Jess para conseguir suas respostas vai abaixar a cabeça e sobreviver. Se não foi ela que começou o incêndio e matou Alex quem foi?

Esse é o ponto de partida de Fellside e o que parecia um caso de assassinato mais aparição sobrenatural se revela uma comovente história de culpa e redenção, com pitadas que vão além do mundo visível. Carey mais uma vez surpreende o leitor com uma narrativa fluída e instigante, que guia o leitor capítulo a capítulo em um bom ritmo e encerra com uma virada inesperada, no melhor estilo "%#@*&%#!". Narrado em primeira pessoa e com uma ambientação que remete a uma versão mais pesada de Orange Is The New Black, Fellside é um livro que foge do comum, mas demora a engrenar. O ritmo torna a leitura rápida, mas aquela pausa cheia de perguntas, que é quando o livro fica realmente interessante só vem na metade da segunda parte e daí para frente até o final a narrativa só cresce e conquista.

Se você como eu ainda espera finais ao menos 10% felizes em livros com premissas como essa, esqueça. Já devia ter aprendido com o livro anterior de Carey. Finais felizes estão em falta e da terceira parte em diante o leitor fica com aquela sensação de que "está tudo muito bom para ser verdade" e na realidade as coisas são um pouco piores do que o imaginado. M.R. Carey é o tipo de autor que gosta de ser imprevisível. A história de Jess Moulson e das detentas da ala Goodall deixa o leitor furioso com alguns personagens secundários e com a trama secundária, e de coração partido pela verdadeira história de Jess e Alex.

Leitura difícil de esquecer tanto pelo desejo de que a realidade não fosse tão nua e crua quanto pela forte mensagem sobre culpa. O peso que essa palavra e esse sentimento carrega, o modo que ela marca uma pessoa para sempre e suas escolhas é uma das partes mais fortes da história de Jess. Curiosa para ver como o filme vai balancear os elementos sobrenaturais com o lado humano e sombrio da história. M.R. Carey me surpreendeu pela virada na história e vou continuar acompanhando seus livros. A edição da Fábrica 231 está perfeita, a capa ficou bem adaptada e a diagramação é a ideal. Recomendo não só Fellside como seu autor a quem gosta de um suspense diferente, com personagens no fundo do poço e escolhas marcadas por culpa, uma história que vai além do simplesmente assassinato-culpado e surpreende onde menos se espera. Leiam! Até mais!

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