13/01/2017

Resenha - Recomeços


Nome: Recomeços
No Original: Twisted
Autor (a): K.A. Robinson
Tradutor (a): Ryta Vinagre
Páginas: 320
Editora: Fábrica 231
Comprar: Submarino - Amazon - Saraiva - Cultura
Sinopse: No segundo livro da série Torn, que faz parte da coleção Curti, voltada para quem não abre mão de uma boa história romântica com final feliz, Chloe Richards tem que encarar um difícil reencontro com sua mãe, com quem sempre teve uma relação complicada, e superar muitas dificuldades para manter o relacionamento com Drake Allen, o charmoso vocalista de uma banda de rock que ela conheceu em seu primeiro dia na universidade. Depois de Cicatrizes, K.A. Robinson põe sua protagonista frente a frente com o passado, o que inclui não só um acerto de contas com Andrea Richards, mas também um antigo namorado que vai ajudar Chloe nessa missão, despertando o ciúme de Drake. E o casal mais uma vez vai precisar contornar uma série de mal-entendidos para, enfim, seguir em frente e recomeçar.

Não tem jeito, sou bastante aficionada por new adult e desde o começo dos lançamentos do gênero aqui no Brasil que era ansiosa para ver a série da autora K.A. Robinson sair por aqui. Torn é uma daquelas séries que se arrisca mais e por isso mesmo que neste segundo livro o que parecia o paraíso logo se transforma. Recomeços dá continuidade a história de Chloe e Drake, se você ainda não conhece a série seja bem-vindo, conheça e comece!

Chloe estava em paz com Drake quando sua mãe resolve aparecer de surpresa com notícias sobre sua tia. A mãe dela nunca fez nada além de atormentá-la e usar drogas, por isso Chole desconfia que há algo mais. A tia dela está morrendo de câncer e aparentemente só vai deixar parte da herança para sua mãe se ela a levasse de volta. Chloe estava planejando seguir com a turnê da banda de Drake, mas diante do pedido da tia ela vai visitá-la. Sem ver o primo Danny e o amigo Jordan há muito tempo Chloe está arrasada de ter de voltar apenas por causa ambição da mãe. Para piorar o clima Drake cisma com Jordan no momento que o vê e dando mais forma a tempestade que se forma o último pedido da tia torna tudo ainda mais complicado. Chloe sabe que ciúmes é a última coisa que uma relação precisa, mas nada parece convencer Drake. Do outro lado Drake sabe muito bem que o jeito que Jordan olha para Chloe está longe de ser amizade e é pior ainda do que desejo. Se não conseguir escapar do ciúme, da influência alheia e de sua imaginação que teima em ver Chloe o deixando por Jordan Drake acabará de volta a velhos e perigosos hábitos. Lidando com a morte da tia, o ciúme de Drake e as loucuras de sua mãe Chloe precisará de força e paciência para sobreviver a tudo sem perder a felicidade que tanto demorou a conquistar.

Esse é o ponto de partida de Recomeços, que com uma narração fluída e ambientação vívida nos conduz pela história da primeira grande tempestade de Chloe e Drake alternando o ponto de vista de ambos enquanto eles enfrentam demônios externos e internos. A autora consegue ir além do drama dos ciúmes para contar essa segunda fase da história de seus protagonistas, deixando claro para o leitor que o difícil nem sempre é se entender, nem sempre é aquele começo de relacionamento. Robinson conduz o leitor e mostra que o difícil é superar cicatrizes antigas, deixar o passado onde ele pertence e confiar de verdade, apesar das pessoas torcendo contra pelo caminho.

A leitura é rápida e instigante, ambos os protagonistas conquistam o leitor no primeiro livro e nessa continuação deixam todos com o coração apertado. K.A. Robinson conta uma história simples, de amor e confiança, e principalmente de recuperação. Mostrando que pessoas quebradas e complicadas também podem ter felicidade. A edição da Fábrica 231 está perfeita, com uma bela capa e super bem caprichada. Recomendo a leitura da série para todos que gostam de um bom new-adult e uma bela história de amor, atual e difícil, simples e complicada. Leiam e se surpreendam! Até mais!

Torn - K.A. Robinson
1- Cicatrizes
2- Recomeços
3- Tainted
4- Toxic
5- Tamed

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08/01/2017

Desafio de Contos - 2017

Olá! Como vai o dia? Quando o blog começou há cinco anos uma das coisas que mais gostava de fazer para matar o tempo e organizar minhas leituras de forma a fugir da zona de conforto era criar desafios ou buscá-los na internet e cumpri-los. Cheguei a postar alguns aqui e lembro que era uma forma ótima de conhecer autores novos e desconhecidos. Por causa da faculdade o tempo tem ficado cada vez mais contado e pensando nisso e na minha paixão por contos resolvi criar o Desafio de Contos.

A ideia é conhecer autores diferentes que mandam muito bem em contos e criar uma ordem no meio do caos que tem sido minha lista de leitura. Buscando na internet encontrei alguns desafios de contos por aí e até mesmo um desafio para autores de contos que acontece há 11 anos em Nova York. Sem me basear em nenhum modelo e depois de algumas dicas no twitter e uma pesquisa básica cheguei a lista de tópicos/regras do desafio, porém antes de postá-la deixo a sugestão para você leitor, que por acaso tem um gênero que goste muito, que queira ler mais dele e seu tempo não estiver ajudando sinta-se bem-vindo a seguir o desafio com o gênero de sua preferência ou com os contos.

Os tópicos para ajudar a guia o desafio são:

05/01/2017

Resenha - Fellside: Estranhos Visitantes


Nome: Fellside - Estranhos Visitantes
No Original: Fellside
Autor (a): M.R. Carey
Tradutor (a): Caco Ishak
Páginas: 464
Editora: Fábrica 231
Comprar: Submarino - Amazon - Saraiva - Cultura
Sinopse: Uma história de terror moderna, perturbadora e emocionante, assinada pelo mestre dos quadrinhos M. R. Carey, pseudônimo de Mike Carey, roteirista de sucessos como X-Men e Hellblazer e autor do cultuado A menina que tinha dons, adaptado para a telona pela Warner Bros (ainda sem previsão de estreia no Brasil). Em seu segundo romance, Carey conta a história de uma mulher que vive em Fellside, uma prisão de segurança máxima localizada nos confins da Inglaterra. Acusada de ter incendiado o seu apartamento e matado por acidente uma criança, Jess Moulson vive afundada em culpa e medo, e sabe que não pode confiar em ninguém ali. Até que começa a ouvir a voz de uma criança. Uma criança morta, que tem uma mensagem para Jess.

Conheci o autor M.R. Carey lendo "A Menina Que Tinha Dons" e tendo me apaixonado pela história não pestanejei ao solicitar Fellside: Estranhos Visitantes. De volta com uma história incomum em um ambiente sufocante o autor mais uma vez surpreende pelo rumo incomum da história, porém ao contrário de seu livro anterior Fellside é uma história menor, voltado para o pessoal de cada personagem, mas ainda assim uma história sombria. Conheçam.

Jess acorda sem saber onde está, um quarto branco, lençóis brancos, mulheres de roupas brancas e nenhuma memória. O rosto está estranho e entre delírios ela acorda para sua nova realidade. Com metade do rosto destruído Jess é acusada de assassinar Alex Beech, seu vizinho, em um incêndio, enquanto tinha uma overdose de heroína ao lado do namorado. Jess sobrecarregada pela culpa e graças ao depoimento de seu namorado é sentenciada e enviada a Fellside, mas para ela não é suficiente, ela quer morrer e assim se livrar da culpa e das memórias. A única maneira de fazer isso é deixando de comer, pois assim nem o Estado e nem a direção da cadeia tem outra opção senão acompanhar e deixá-la morrer. O que Jess não contava é que a beira da morte ela seria visitada por Alex e suas afirmações. Ela tem certeza que é delírio, mas quando o garoto retorna insistindo que Jess não o matou e que ela precisa ajudá-lo a encontrar a verdadeira culpada o mundo de Jess mais uma vez cai. Como é possível Alex estar ali? O que acontece depois da morte? Existe um lugar para onde vamos ou é apenas sua mente culpada? Decidida a descobrir resposta para essas e outras perguntas Jess muda seu plano, mas a vida em Fellside não é fácil. As detentas não morrem de amor por uma mulher sentenciada por assassinato de criança e tem muito mais escondido entre as celas e paredes de Fellside. Jess para conseguir suas respostas vai abaixar a cabeça e sobreviver. Se não foi ela que começou o incêndio e matou Alex quem foi?

Esse é o ponto de partida de Fellside e o que parecia um caso de assassinato mais aparição sobrenatural se revela uma comovente história de culpa e redenção, com pitadas que vão além do mundo visível. Carey mais uma vez surpreende o leitor com uma narrativa fluída e instigante, que guia o leitor capítulo a capítulo em um bom ritmo e encerra com uma virada inesperada, no melhor estilo "%#@*&%#!". Narrado em primeira pessoa e com uma ambientação que remete a uma versão mais pesada de Orange Is The New Black, Fellside é um livro que foge do comum, mas demora a engrenar. O ritmo torna a leitura rápida, mas aquela pausa cheia de perguntas, que é quando o livro fica realmente interessante só vem na metade da segunda parte e daí para frente até o final a narrativa só cresce e conquista.

Se você como eu ainda espera finais ao menos 10% felizes em livros com premissas como essa, esqueça. Já devia ter aprendido com o livro anterior de Carey. Finais felizes estão em falta e da terceira parte em diante o leitor fica com aquela sensação de que "está tudo muito bom para ser verdade" e na realidade as coisas são um pouco piores do que o imaginado. M.R. Carey é o tipo de autor que gosta de ser imprevisível. A história de Jess Moulson e das detentas da ala Goodall deixa o leitor furioso com alguns personagens secundários e com a trama secundária, e de coração partido pela verdadeira história de Jess e Alex.

Leitura difícil de esquecer tanto pelo desejo de que a realidade não fosse tão nua e crua quanto pela forte mensagem sobre culpa. O peso que essa palavra e esse sentimento carrega, o modo que ela marca uma pessoa para sempre e suas escolhas é uma das partes mais fortes da história de Jess. Curiosa para ver como o filme vai balancear os elementos sobrenaturais com o lado humano e sombrio da história. M.R. Carey me surpreendeu pela virada na história e vou continuar acompanhando seus livros. A edição da Fábrica 231 está perfeita, a capa ficou bem adaptada e a diagramação é a ideal. Recomendo não só Fellside como seu autor a quem gosta de um suspense diferente, com personagens no fundo do poço e escolhas marcadas por culpa, uma história que vai além do simplesmente assassinato-culpado e surpreende onde menos se espera. Leiam! Até mais!

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04/01/2017

Resenha - O Livro das Coisas Estranhas


Nome: O Livro das Coisas Estranhas
No Original: The Book of Strange New Things
Autor (a): Michel Faber
Tradutor (a): Simone Campos
Páginas: 528
Editora: Rocco
Comprar: Submarino - Amazon - Saraiva - Cultura
Sinopse: Último romance do aclamado Michel Faber, autor de Sob a pele e Pétala escarlate, flor branca, entre outros, O livro das coisas estranhas teve calorosa recepção do público e da crítica, figurou na tradicional lista do The New York Times dos 100 livros notáveis do ano em 2014 e reafirma a posição de Faber como um dos mais inovadores e interessantes escritores contemporâneos. A trama se desenrola num futuro próximo e acompanha o pastor Peter Leigh na missão de catequizar a civilização extraterreste do planeta Oasis. Afastado de sua mulher, seu gato, seu mundo, Peter vê sua fé ser testada até o limite, progressivamente se alienando de sua própria espécie, numa narrativa tocante que leva o leitor a refletir sobre temas como amor, separação e a natureza da fé religiosa.

Quando vi o livro entre os lançamentos da Rocco fiquei curiosa por ser do Michel Faber, autor que já havia me deixando confusa com Sob A Pele e também intrigada pela premissa. Estou tendo Antropologia de disciplina na faculdade e toda a parte viajar a outro planeta para evangelizar os povos é paralela a parte do que estudamos e ver como o autor ia trabalhar essa mistura de ficção-científica com ficção teológica-antropológica-filosófica foi tentador demais para não solicitar o livro. Conheçam.

Peter é um pastor e está embarcando para o planeta Oásis. Entrevistado e selecionado pela empresa USIC ele ainda não acredita que foi escolhido e está ansioso para levar a palavra de Jesus tão longe. Peter não é um pastor convencional, tem visão ampla do mundo e do conhecimento, culto, discute de diversos assuntos e sempre surpreende seu interlocutor, que espera um homem preso cegamente a sua fé. Casado com Bea, Peter já foi viciado em drogas e conheceu uma existência afastado de Deus. Foi ao lado de Bea que ele encontrou Jesus e agora depois de atravessar milhões de anos-luz ele quer começar seu trabalho logo. Assim que chega a Oásis ele percebe que o funcionamento da USIC e suas atividades no planeta são bem diferentes do que ele imaginara. O pessoal, em sua maioria engenheiros, é agradável, mas bem diferentes de si. Os dias são estranhos, uma noite equivale à três de nossos dias e Peter demora a ajustar o corpo. A água é verde e o clima estranho, mas acima de tudo o povo que ele encontra é para lá de inesperado. Seja pelo físico, pelos hábitos ou pelo modo de falar. Capítulo a capítulo esperamos com Peter, e entre uma mensagem e outra para Bea nos envolvemos com sua história, e para nossa surpresa a verdadeira história que o autor quer nos contar é bem diferente do que esperamos.

Essa é a premissa construída por Faber e para os impacientes este é um livro estranho. A narrativa é em primeira pessoa e mais uma vez o autor apresenta um livro, dentro de um certo gênero, mas com outra ideia em mente. Baseado na surpresa que foi o outro livro dele já devia esperar isto. O Livro das Coisas Estranhas é longe de ser um livro sobre evangelizar um planeta e sua transformação através de construções do ser humano. O que Michel Faber quer que prestemos atenção é na fragilidade das relações humanas, na forma como conhecemos as pessoas, como nos deixamos afetar por cada estranho que entre em contato conosco ao longo da vida. Através de Peter e suas conversas longas com os diversos membros do grupo que está em Oásis conhecemos muito do ser humano de um futuro próximo.

E é aí que está a chave para o livro. A cada capítulo ficamos esperando algo dentro da premissa acontecer. Peter começar a evangelizar, a levar a palavra de Deus, a viver com os locais, conhecer seu modo de vida, e qualquer coisa do tipo, mas o que recebemos vai além, é seu relacionamento com todos da base e as mensagens trocadas com sua esposa. Enquanto ele conhece pessoas diferentes, se intriga com algumas coisas e começa a entender como conviver com os locais Bea vê o planeta Terra desmoronar. Não sabemos se a situação já estava ruim antes de Peter partir, mas enquanto ele está em Oásis tudo acontece, de desastres naturais gigantescos a doenças. Nessa dualidade paraíso-inferno o autor nos guia por uma história que parece não ir a lugar nenhum no sentido comum dos livros, mas que é profundamente desenvolvida em laços filosóficos, teológicos e psicológicos.

Leitura diferente, que nos instiga em busca de respostas, mas que pouco a pouco aceitamos que não é comum e não vai apenas "começar e terminar", entre um e outro tem muito mais. Não é atoa que o livro teve os direitos comprados para o cinema por um preço alto. Se você leu o livro anterior do autor e/ou viu o filme sabe bem o que estou falando. Sua história está no humano, no seu "eu", nos seus desejos, nas suas relações e mal posso esperar para o filme. A edição da Rocco está ótima, com uma bela capa e tradução cuidadosa. Gosto de respostas, mas ao longo dos anos como leitora aprendi a apreciar livros que podem parecer frustrantes à primeira vista, mas que nos deixa pensando muito depois de tê-los fechados. Recomendo ao leitor que quer algo novo, que vá além de qualquer sinopse, um livro que fala de amor, de relações, de fé, de perda e de conexões. Leiam e se deixem levar! Até mais!

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31/12/2016

Resenha - No Limite da Loucura


Nome: No Limite da Loucura
No Original: Madness Underneath
Autor (a): Maureen Johnson
Tradutor (a): Sheila Louzada
Páginas: 304
Editora: Fantástica Rocco
Comprar: Submarino - Amazon - Saraiva - Cultura
Sinopse: Uma das autoras mais queridas do público jovem na Inglaterra e nos EUA, e celebridade no Twitter, Maureen Johnson deixa sua protagonista Rory Devereaux No limite da loucura na eletrizante sequência de O nome da estrela. Depois de se envolver no misterioso caso do assassino em série que se fazia passar pelo lendário Jack, o Estripador, espalhando o medo pela capital britânica, a garota é enviada para a casa dos pais em Bristol. Mas ela não pensa duas vezes quando tem uma chance de retornar a Wexford e reencontrar os amigos. Sua volta a Londres, no entanto, revela mais sobre seus próprios poderes do que ela poderia supor e a põe no centro de uma nova – e sinistra – onda de crimes que vêm desafiando até mesmo a polícia secreta que combate os fantasmas na cidade. No segundo livro da trilogia Sombras de Londres, Rory Devereaux precisa enfrentar seus próprios medos e agir antes que seja tarde.

A Sombra de Londres é uma daquelas trilogias que conheci bem antes de lançar no Brasil e esperei ansiosamente. Londres, assassinatos em becos nebulosos, prédios antigos e detalhes vívidos da capital inglesa. Maureen Johnson conseguira capturar todos os elementos que amo a respeito da Inglaterra no primeiro volume de sua trilogia e estava bastante curiosa para ver qual seria o rumo da trama pois é no segundo livro onde descobrimos se uma trilogia vai ser tudo o que prometia ou não. No Limite da Loucura é uma ponte, em todos os sentidos uma história que conduz o leitor entre dois pontos. A dúvida que fica é se o ponto de chegada corresponde a expectativa de quem começou a travessia. Conheçam.

Rory Devereaux chegou a Inglaterra para passar um ano em Wexford enquanto seus pais, professores, mudavam de universidade. Eles ficariam no interior e ela em Londres. Ela planejava estudar e conhecer gente diferente, mas acabara ganhando bem mais do que novos amigos. Rory tinha a capacidade de ver fantasmas e agora depois dos acontecimentos dos últimos meses ela se recuperava na casa dos pais em Bristol enquanto visitava uma terapeuta. Rory não faz nada além de desviar de suas perguntas, por isso quando ela convida seus pais para uma consulta e diz que está na hora de Rory voltar a sua rotina em Wexford apenas três semanas depois de tudo o que aconteceu Rory sabe que tem algo errado. Se não bastasse a cicatriz queimando e a volta inesperada Rory ainda está lidando com seu recém descoberto "poder" de dispersar fantasmas. Rory não sabe se voltar a Wexford foi a melhor coisa. Mesmo com Jazza, sua amiga e Jerome, e com os Sombras ela sente que não está conectada aquela vida de antes. Antes dos fantasmas, antes do Estripador, antes do banheiro. Stephen, Bu e Callum continuam seu trabalho nos Sombras, a polícia dos mortos e entre os três e seus amigos em Wexford Rory nunca se sentiu tão errada. Quando Charlotte deixa o cartão de sua psicologa milagrosa com Rory, ela tem certeza de que não vai ligar, mas coisas estranhas estão acontecendo e ela precisa conversar. Entre duas rachaduras e um assassinato suspeito ela precisa escolher que vida vai levar dali para frente.

A partir daí a história se desenrola levando Rory por cenários de sua vida enquanto ela tenta realmente fazer parte de tudo novamente. A narrativa novamente é em primeira pessoa, porém desta vez é bem mais sufocante. A protagonista não está bem e tenta recomeçar estudando, recomeçar o namoro/rolo com Jerome e sua velha rotina, porém como seguir em frente quando você não é mais a mesma pessoa? A autora consegue captar as mudanças não apenas na vida, mas na própria Rory, coisas sutis que acabam levando a personagem para a trama central desta continuação.

Esse processo de recuperação aliado ao começo tardio da trama do livro e o choque do capítulo final é que deixa essa sensação de ponte. Maureen desenvolve os capítulos em um ritmo lento para de repente, jogar uma bomba em cima do leitor e colocar fim logo em seguida. Ela encerrou a trama do livro de modo rápido, sem muitas explicações (tanto que acredito que veremos de novo essa história no terceiro livro) para em seguida deixar uma bomba totalmente à parte . A sensação é de que cortaram a ponte faltando menos de dois metros para o fim e tudo o que tem entre o leitor e o verdadeiro final é um precipício sem fim, impossível de atravessar mesmo pulando. Foi golpe baixo da autora deixar o leitor com aquele final e mais ainda com Rory, que acabava de se resolver e agora tem de lidar com aquilo!

O segundo livro da trilogia é uma leitura rápida pois queremos saber o que acontece com Rory e a cada capítulo estamos prontos para o "novo problema", mas acima disso No Limite da Loucura é Maureen Johnson preparando o terreno para o terceiro livro. Uma travessia estranha, mas gostosa de acompanhar. A edição da Fantástica Rocco está linda. Sou suspeita para falar, mas amei a arte das capas com a fonte do título sendo mantida do original. Adoraria ver a história adaptada e recomendo para o leitor que gosta da mistura sobrenatural com suspense, além claro de uma história que nos transporta para a Londres de prédios tradicionais, becos escuros e estações de metrô antigas. Leiam! Até mais!

Sombras de Londres - Maureen Johnson
1- O Nome da Estrela
2- No Limite da Loucura
3- The Shadow Cabinet

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30/12/2016

Resenha - Sociedade da Rosa


Nome: Sociedade da Rosa
No Original: The Rose Society
Autor (a): Marie Lu
Tradutor (a): Rachel Agavino
Páginas: 336
Editora: Rocco
Comprar: Amazon - Submarino - Saraiva - Cultura
Sinopse: Nome em ascensão na literatura young adult, Marie Lu conquistou seu lugar nas listas dos mais vendidos dos EUA com as séries Legend e Jovens de Elite, ambas com direitos de adaptação para o cinema adquiridos por grandes estúdios. A sociedade da Rosa é o segundo volume da saga de fantasia medieval Jovens de Elite e mostra a jovem Adelina Amouteru com sede de vingança. Depois de ser renegada pela família, ela é traída por aqueles em quem confiou, e parte em busca de outros malfettos — sobreviventes da febre do sangue que, como ela, possuem dons fantásticos —, para formar um exército próprio e combater a Inquisição do Eixo. Mas o ódio e o medo que a alimentam podem levá-la por caminhos perigosos, e uma oferta tentadora vai testar a verdadeira natureza dos seus poderes e de sua personalidade. Uma sequência de tirar o fôlego para uma saga épica.

Quando li o primeiro livro fiquei bastante surpresa porque Marie Lu escolheu rumos completamente diferente do que estamos acostumados em fantasias jovens. A autora saiu da zona de conforto, complicou tudo umas cinco vezes e deixou o leitor cheio de dúvidas, afinal o que poderia vir a partir daquele fim? Sociedade da Rosa, segundo livro da trilogia chega para demonstrar que Marie Lu não estava de brincadeira e sua nova trilogia é tudo menos adepta da zona de conforto. Conheçam e se ainda não começou a trilogia está na hora de repensar e começar.

Malfettos são sobreviventes da febre do sangue, cada um possui dons fantásticos, de coisas simples como saber tocar música como ninguém a coisas assustadoras como criar ilusões fantasmagóricas e invocar fantasmas que colocam medo em qualquer mortal. Malfettos, ou jovens de elite como são chamados entre si, são temidos e odiados na maioria dos reinos e Adelina Amouteru, uma malfetto que sofreu horrores na mão do pai e que viu seu novo mundo desmoronar quer vingança. Ao lado de sua irmã ela procura jovens de elite poderosos e famosos para seu grupo. Ela quer reunir jovens de elite mais poderosos do que os punhais, tomar Kenettra, destruir o inquisidor Teren e a rainha. Conhecida como Loba Branca Adelina avança seus planos ao lado de sua irmã, de Magiano e seus mercenários. Enquanto isso a nova rainha já não está tão interessada em exterminar malfettos e tem problemas para controlar Teren. O inquisidor desobedece a rainha e os campos de concentração viram campos de morte. O que nem Adelina e nem Teren contava era que os punhais, procurando se vingar da Inquisição se aliam a rainha de Beldain para conquistar Kenettra e destruir de vez a inquisição e seu ódio por malfettos. Unidos em um jogo perigoso e mortal Adelina, os punhais e sua sociedade arriscarão um preço mais alto do que podiam imaginar e em um mundo onde quanto mais poderoso o dom mais alto o preço cobrado Adelina, a loba branca irá até o fim, mesmo que isso lhe custe tudo.

Essa é a premissa deste segundo livro e procurei não entrar em muito detalhe para não estragar pontos críticos. O que você precisa saber é que são três lados em um jogo arriscado, uma mistura de xadrez e poker por poder e vingança. Aliás vale mencionar que essa é uma trilogia de emoções extremas, e digo isso no sentido emoções humanas, dos personagens, sejam protagonistas ou não. Seja Adelina, Teren, alguns dos jovens de elite ou mesmo uma das rainhas. Os capítulos alternam principalmente entre Adelina e Raffaele, mas entre eles aparecem outros e a cada capítulo, com a evolução da trama é possível sentir o foco de Adelina e dos envolvidos. Existe pouco espaço para pensar "e se" ou ao menos em simplesmente viver. A sede de vingança de Adelina fala mais alto e em algum momento do próprio livro surge a questão "é mesmo Adelina ou é seu poder sombrio a guiando e controlando?"

Intrínseco a trama de vingança e destruição Marie Lu começa a deixar pistas e questões para o terceiro livro, que vão além de qualquer guerra entre jovens de elite e/ou reinos. Qual o preço destes dons? Poderes sombrios e fortes como o de Adelina têm um preço? Por que eles foram marcados pela febre? Baseado na cena final e no quão alto são as perdas de Adelina mal posso esperar para o desenrolar da trilogia. Marie Lu nos guia por um mundo único, de ambientação vívida e rica, com detalhes impressionantes a cada cena onde os jovens de elite usam seus dons e só de pensar no final da trilogia fico tensa.

Leitura rápida visto que depois de começar essa jornada de vingança é impossível largar antes de saber o que acontece. Sentimentos extremos guiam os personagens e deixam o leitor imerso logo de cara na história. Não é por acaso que alguns nomes tem origem italiana. A trama lembrou-me daquelas tragédias cheias de paixão e sofrimento da era renascentista, de Florença e todo o resto. A edição da Rocco está perfeita, capa bem adaptada, fonte confortável e bela tradução. Recomendo a todos que procuram uma trilogia diferença, com traços de fantasia épica e sobrenatural, onde personagens que crescem a cada página guiam a história e nunca estamos certos do que está por vir. Leiam e se surpreendam! Até mais!

Jovens de Elite - Marie Lu
1- Jovens de Elite
2- Sociedade da Rosa
3- The Midnight Star

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20/12/2016

Chega em janeiro "A Batalha por WondLa", último da trilogia pela Intrínseca

Olá! Quer melhor notícia para fechar este mês do que o terceiro e último da trilogia WondLa saindo em janeiro pela editora Intrínseca? A trilogia de Tony DiTerlizzi é uma das melhores e mais impressionantes surpresas na ficção-científica que li desde que comecei o blog e estava ansiosa por essa conclusão. Longe de ser juvenil a trilogia é um espetáculo de fazer o coração do leitor mais apaixonado bater alto. Com tradução de Edmundo Barreiros o livro já está em pré-venda na Amazon, conheçam:

A Batalha por WondLa, de Tony DiTerlizzi, 400 páginas.
Eva Nove cresceu em um Santuário — um complexo subterrâneo seguro planejado para abrigar seres humanos enquanto o planeta Terra se recupera de um cataclismo ambiental —, tendo como única companhia Mater, uma robô. Mas a invasão de um ser desconhecido a força a abandonar seu lar, desvelando a terra cheia de criaturas inimagináveis chamada Orbona. Eva conhece Andrílio, um dos seres alienígenas que colonizou a superfície do planeta, e parte com ele e Mater em busca de mais seres humanos, motivada por uma misteriosa figura com a inscrição WondLa.

Em um caminho cheio de perigos, Eva aprende mais sobre a amizade, a natureza e os ciclos que governam a vida: mas alguns trajetos cobram seus preços, levando até mesmo pessoas queridas. É então que ela conhece Hailey, um garoto que se oferece para levá-la à cidade de Nova Ática, um refúgio utópico onde humanos vivem em paz e igualdade. No entanto, essa bela promessa esconde um plano para aniquilar os alienígenas do planeta e permitir que os humanos o governem mais uma vez.

A Batalha de WondLa, último livro da trilogia iniciada com Em busca de Wondla, acompanha uma Eva Nove mais madura e corajosa, disposta a enfrentar seus maiores medos para garantir a segurança daqueles que ama.

Gostaram da novidade? Se você ainda não conhece a trilogia não deixe de ler a resenha do primeiro livro "Em Busca de WondLa" e se apaixone também! Impresso em duas cores, com ilustrações assinadas pelo próprio autor, o livro vai agradar em cheio tanto os jovens que acompanharam as jornadas mitológicas de Percy Jackson quanto os fãs de O mágico de Oz de todas as idades. Tony DiTerlizzi é coautor e ilustrador da série As crônicas de Spiderwick. Uma trilogia para você começar o ano bem! Por enquanto é isso! Até mais!

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Resenha - Tudo e Todas As Coisas


Nome: Tudo e Todas As Coisas
No Original: Everything Everything
Autor (a): Nicola Yoon
Tradutor (a): Amanda Orlando
Páginas: 304
Editora: Novo Conceito
Comprar: Submarino - Saraiva - Amazon - Cultura
Sinopse: Minha doença é tão rara quanto famosa. Basicamente, sou alérgica ao mundo. Qualquer coisa pode desencadear uma série de alergias. Não saio de casa nunca sai em toda minha vida. As únicas pessoas com quem convivo são minha mãe e minha enfermeira, Carla. Eu estava acostuma com minha vida até o dia que ele chegou. Pela janela olho para o caminhão de mudança, e então o vejo. Ele é alto, magro e está vestindo preto da cabeça aos pés. Seus olhos são de um azul como o oceano. Ele me pega observando-o e me encara. Encaro-o também. Descubro depois que seu nome é Olly.

Lembro-me de ter ficado bastante curiosa com a sinopse do livro pouco antes de seu lançamento lá fora e quando a notícia de que o livro iria ser adaptado para o cinema saiu fiquei ainda mais curiosa para ler. Filmes baseados em livro se tornaram, digamos um "hobby" e o livro de Nicola Yoon parece entrar na categoria que tem se tornado favorita de hollywood, livros jovens com um toque de drama. Após a leitura posso dizer que "Tudo e Todas As Coisas" é no mínimo estranho, e tem tudo a ver com os riscos que a autora está disposta ou não a correr. Conheçam e entendam.

Madeline é alérgica ao mundo. Portadora de uma síndrome autoimune rara ela vive em isolamento. Seu mundo é sua casa, seu quarto e seus livros, tudo esterilizado e controlado 24 horas por dia, 7 dias por semana desde que ela se lembra de alguma coisa. Sua mãe é médica e faz o possível para ela viver bem. Sua única companhia além da mãe é a enfermeira Carla e depois de dezessete anos em isolamento Madeline aprendeu a ter paciência, a não desejar (muito) as coisas, a não esperar. Porém com seu aniversário e a mesma rotina ela está passando por um momento difícil. Por isso quando o barulho de um caminhão estacionando chega até seu quarto Madeline diz para si mesmo que não é nada demais. Da última vez que teve alguém naquela casa as coisas não terminaram bem, mas ela tinha 8 anos, "agora vai ser diferente" Madeline diz para Carla e para si mesma. Contudo observar a família vizinha pela janela vira rotina assim como Olly, o filho mais velho que está sempre de preto e tem um sorriso enorme. Quando ele e sua irmã aparecem na porta para oferecer um bolo de boas-vindas e sua mãe recusa Olly começa a encenar com o bolo moribundo e Madeline até tenta não observar. Assim eles começam a trocar e-mails, e assim Madeline começa a imaginar "e se", e a desejar uma vida diferente...

Essa é a premissa do livro de estreia de Nicola Yoon e devo dizer que gostei muito do começo, da ambientação e principalmente da impressão que a autora conseguiu captar. Eu tive câncer com 16 anos e fiquei confinada em casa por anos sem sair e algumas partes consegui entender perfeitamente o que Madeline estava dizendo e sentindo. A perspectiva de que nada ia mudar era sufocante e a autora fez um trabalho maravilhoso e sensível ao captar com bastante precisão toda a frustração misturada com aceitação e resiliência por parte de Madeline. A narrativa em primeira pessoa é fluída, cativa o leitor logo no começo com um ambiente que salta das páginas à medida que a história se desenrola, mas, sim tem um "mas" e um bem grande infelizmente...

Mas Yoon resolveu tomar o caminho mais fácil. Tudo e Todas As Coisas tem uma premissa única e bem criativa, que parecia fugir ao lugar-comum que a maioria dos livros caíram hoje em dia, mas a autora preferiu não arriscar, preferiu o caminho mais seguro. Entre o aplauso de pé da maioria dos leitores independentemente da idade e o suspiro dos leitores mais jovens ela escolheu o suspiro. A história se encerra de modo adequado, um tanto triste e uma surpresa, mas nem perto do grande "pqp" que poderia ter sido.

Leitura rápida, que nos instiga pelo trágico da situação e pelos sentimentos que a protagonista desperta, a desolação de viver isolada do mundo e dos sonhos nunca realizados e os personagens são muito bons, a personagem secundária Carla também, mas nada redime a escolha da autora. Termino o livro pensando no "e se a autora tivesse ido até o fim em suas escolhas?" e toda vez que lembrar do livro ou que alguém falar sobre ou que eu ver notícias sobre o filme vou pensar nisso. Vamos ver o filme como vai ficar, será que mudam alguma coisa? A edição da Novo Conceito está ótima, capa muito bem adaptada assim como toda a edição. Recomendo a quem gosta de livros diferentes, seja no gênero jovem-adulto ou não. Mesmo com o "mas" ainda assim é um livro que foge do comum e vai agradar quem procura algo novo. Leiam! Até mais!

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