02/12/16

Resenha - Seeker: A Guerra dos Clãs


Nome: A Guerra dos Clãs
No Original: Seeker
Autor (a): Arwen Elys Dayton
Tradutor (a): Lucas Peterson
Páginas: 416
Editora: Fantástica Rocco
Comprar: Submarino - Amazon - Saraiva - Cultura
Sinopse: Primeiro da trilogia A Guerra dos Clãs, que marca a estreia da autora Arwen Elys Dayton na literatura young adult, Seeker é uma fantasia épica com toques de ficção científica perfeita para fãs de séries como Jogos Vorazes, Divergente, Legend e Game of Thrones. A história gira em torno da jovem Quin Kincaid, treinada para se tornar uma Seeker e lutar ao lado de seus companheiros para proteger os injustiçados, levando luz para um mundo mergulhado na escuridão. Na noite de seu juramento, porém, quando está prestes a honrar seu legado e iniciar sua missão, Quin descobre que ser uma Seeker não é bem o que ela havia imaginado. E mesmo sua família e seu grande amor não são exatamente como ela acreditava. A jornada de Quin Kincaid em busca de sua verdadeira identidade vai começar. Uma saga memorável, protagonizada por uma heroína inesquecível.


Quem acompanha o blog sabe que não dispenso fantasia, não tenho preconceitos que muito aficionados do gênero têm e quando vi Seeker entre os lançamentos da Rocco fiquei curiosa como sempre. Ainda mais com uma autora chamada Arwen porque afinal fã número 1 aqui de O Senhor dos Anéis, mas vamos ao livro, não gostei como esperava, mas fiquei muito mais curiosa com algumas perguntas que surgem. Conheçam.

Quinn, Shinobu e John treinam para serem Seekers na fazendo, com o pai de Quinn e o pai de Shinobu. Desde crianças eles escutam histórias sobre os Seekers, mas nada os prepara para o dia que fazem o juramento, a dura verdade. John começou seu treinamento mais tarde, e o pai de Quinn alega isso quando o manda embora ás vésperas do juramento e de receber sua marca, mas ele conhece parte da verdade, e digo parte porque se tem uma coisa que se sobressai na trama é que todos parecem adorar suas perspectivas, suas visões, sem tentar realmente compreender o quadro geral. Quando John percebe que não vai fazer o juramento por seu treinamento decidi cumprir a promessa que fez à mãe de qualquer modo, mesmo que para isso tenha de passar por cima de Quinn.

Dividida em três partes a história muda de linha do tempo em cada uma dessas partes, pequenas mudanças e nos conta parte do que levou ao quadro atual. As ganâncias individuais vencendo o "bem maior" e muitas vezes a justiça e o bem sendo vistos como pontos de vista. Com uma narrativa focada na solução dos problemas do presente e não em responder o leitor a leitura é rápida, mas a autora apresenta muito pouco do seu universo. É o suficiente para deixar o leitor curioso para o próximo livro, porém também deixa uma frustração nos mais impacientes. A trama entre os athames, e os Pavores é interessante, mas ainda falta muitas peças do quebra-cabeça. 

Os três protagonistas são bons e todos têm potencial para muito. Quinn foi a que menos me conquistou, John é cego para o mundo, usa uma viseira que não o deixa ir além e até mesmo se conhecer e shinobu é o melhor deles, mais real, mais humano e passa sofrimento, e crescimento ao longo do livro. Já a secundária Jovem Pavor Maud é a mais interessante e curiosa deles. Espero que o próximo livro traga mais dos Pavores, de onde veio os Seekers, e todo o resto. 

A edição da Fantástica Rocco está perfeita, capa belamente adaptada e com uma tradução cuidadosa. Um livro bonito e que recomendo a todos que gostam de fantasia jovem adulta, que querem começar no gênero. Leitura rápida e instigante, que deixa uma urgência pelo próximo livro, pelo universo tanto quanto pelas respostas e personagens! Leiam! Até mais!

A Guerra dos Clãs - Arwen Ely Dayton
1- Seeker
2- Traveler
3- Disruptor

01/12/16

Resenha - Criaturas Estranhas


Nome: Criaturas Estranhas
No Original: Strange Creatures
Autor (a): Neil Gaiman
Tradutor (a): Antônio Xerxenesky
Páginas: 400
Editora: Fantástica Rocco
Comprar: Submarino - Amazon - Saraiva - Cultura
Sinopse: Dezesseis histórias fantásticas, algumas escritas há mais de cem anos, outras inéditas, selecionadas por ninguém menos que o aclamado autor de Coraline e outros tantos sucessos, Neil Gaiman. Como o título sugere, Criaturas estranhas é uma coletânea de contos povoada por seres fantásticos, magníficos e às vezes assustadores. Assinadas por autores clássicos de ficção científica e fantasia, como Anthony Boucher e Diana Wynne Jones, a escritores contemporâneos, como Nnedi Okorafor e o próprio Gaiman, as histórias, que parecem ter saído de um sonho, ou talvez de um pesadelo, têm em comum o olhar atento e único de Neil Gaiman para o insólito. Cada conto é precedido de um comentário do escritor, que visa a provocar ainda mais a imaginação do leitor.

Desde que conheci Gaiman me apaixonei por contos. Os dele foram os primeiros a me encantar no gênero e nada melhor do que uma coletânea organizada por ele. Não pensei que veria Criaturas Estranhas tão cedo no Brasil e amei tê-lo com a mesma bela capa adaptada em mãos. São dezesseis contos de diversos autores e todos revolvem em torno de criaturas únicas, estranhas e surpreendentes, incluindo claro um conto de Gaiman. Conheçam e se apaixonem por contos.

O que mais gosto nos livros de contos do Gaiman além dos contos claro é a introdução, o modo como ele apresenta a antologia, a história por trás de cada conto ou neste caso o que levou a cada uma das escolhas. Ao falar de criaturas estranhas ele fala de sonho, afinal enquanto unicórnios, lobisomens e tantos outros andarem pelas sombras nosso mundo será mais interessante, mais misterioso. A realidade e seus museus de história natural nunca serão suficientes, e é possível sentir o encantamento em cada um dos dezesseis contos. De épocas diferentes, de autores muito distintos e com surpresas a cada novidade os contos conquistam o leitor pelo inusitado, por nos levar a perguntar "e se". Seja com vespas cartografas e seus mapas brilhantes ou com uma mancha de outra dimensão, as criaturas passam por todos os cantos do mundo, com criaturas novas ou já conhecidas. Porém mesmo que todos os contos cumpram bem o seu papel e guie o leitor para o mundo invisível, de possibilidades infinitas existe entre eles verdadeiros achados. São escolhas minhas, mas se você ainda não está convencido os contos abaixo podem te convencer.

O Grifo e O Cônego Menor traz uma criatura conhecida, mas nem tanto, e uma visão nua e crua do homem e sua incapacidade de pensar em algo além de sua vida, onde uma imagem de um grifo tão bem esculpida chama atenção do verdadeiro grifo, que nunca se olhou no espelho e acaba descobrindo uma humanidade covarde e medrosa, um grifo velho e tanto sábio quanto é assustador ao lado de um cônego menor com uma problema inesperado nas mãos, Pássaro do Sol, com um esquisito grupo de gostos gastronômicos ainda mais estranhos, O Sábio de Theare, onde deuses tão ordenados esqueceram que fugir de profecias tentando trapacear não é a melhor escolha, O Cacatuano ou A Tia Avó Willoughby, onde a mudança inesperada traz situações inacreditáveis e com criatividade somos levados por um reino em constante mudança, Prismática, com uma homem cinzento, seu mais próximo e querido amigo, um mago tão velho, terrível e poderoso que nenhum deles precisam se preocupar com ele ao lado e Amos, um ruivo de pensamento rápido e afiado se encontram em uma busca estranha de respostas mais estranhas ainda e Venha Dona Morte, onde uma lady casnsada, um baile de luxo e uma convidada única, a Morte terminam por mudar a ordem das coisas. Esses foram alguns dos meus favoritos, e só por eles você pode ver que há mais do criaturas estranhas nos contos, seus personagens passam rápido em nossa leitura, mas ficam na nossa mente, procurando mais detalhes ou querendo maus de cada um deles.

Essa é a beleza do conto, sua rapidez que encanta e é capaz de ficar com o leitor mesmo com poucas páginas. A edição da Fantástica Rocco está belíssima, cada pequeno detalhe e a tradução acertada de termos e nomes únicos. A cada página me lembrei do porque amo contos. Recomendo a todos, sem exceção, conto é um modo único de se apaixonar várias vezes, e se você ainda não conhece o gênero está perdendo tempo, com os contos viajamos mais rápido e tão profundamente quanto em qualquer outra história. Leiam e se encantem! Até mais!

03/09/16

Resenha - A Caçadora de Bruxos


Nome: A Caçadora de Bruxas
No Original: The Witch Hunter
Autor (a): Virginia Boecker
Tradutor (a): Alves Calado
Páginas: 308
Editora: Galera
Comprar: Submarino - Saraiva - Travessa - Cultura
Sinopse: No mesmo estilo de Guerra dos Tronos, A caçadora de bruxos reconstrói uma Inglaterra medieval mítica, com magia e muita intriga política. Na Ânglia do século XVI, a prática da magia é ilegal e infratores são queimados nas fogueiras. Elizabeth Grey é uma das melhores caçadoras de bruxos do rei: ela localiza e captura Reformistas, rebeldes suspeitos de praticar feitiçaria para que sejam julgados e executados, conforme manda a lei. Até que, inexplicavelmente, ela é incriminada e acaba presa sob a acusação de praticar a arte que se dedicou a erradicar. A salvação, no entanto, acaba vindo na forma de seu maior inimigo: Nicholas Perevil, o mago mais poderoso e procurado de Ânglia. À medida que Elizabeth se associa aos Reformistas, suas crenças sobre a legitimidade da proibição da magia são profundamente abaladas. Ela se vê em meio a uma contenda política de proporções épicas e percebe que seus antigos aliados agora são seus inimigos mortais. Será que Elizabeth está pronta para decidir de qual lado está sua lealdade, afinal de contas?

Conheci o livro de Virginia Boecker passando por listas no Goodreads e quando soube que a Galera ia lançá-lo fiquei feliz com a notícia. Gosto muito de fantasia e tenho gostado bem de fantasias mais jovens, as últimas que li me surpreenderam e como eu já desconfiava A Caçadora de Bruxas entrou nessa lista. Feiticeiros, magos, magia e um universo bem criativo ainda que com toques jovens. Conheçam este que é o primeiro de um dueto.

Elizabeth Grey é uma das melhores caçadoras de bruxos do reino, ela segue a décima terceira tabuleta a risca e já mandou muitos feiticeiros e magos para as fogueiras de Ânglia. Ao lado de Caleb ela foi treinada pelo Inquisidor Blackwell para ser a melhor, mais implacável e perfeita máquina de caçar. Porém depois de se chatear com a indiferença de Caleb e afogar as mágoas em cerveja com abisinto Elizabeth é acusada de usar magia depois de algumas ervas caírem de seu bolso. Mandada para os calabouços de Fleet sem chance de defesa e sentenciada a fogueira como manda a lei Elizabeth é salva doente, à beira da morte por Nicholas Perevil, o mago mais procurado de toda Ânglia, líder dos reformistas e que precisa de Elizabeth. Depois de se recuperar graças do curandeiro John ela está decidida a entregar o grupo para Blackwell e assim recuperar sua graça, mas tem algo que a incomoda profundamente e quando descobre que está sendo caçada com acusações pesadas Elizabeth sabe que não tem mais volta. Ela vai cumprir a missão de Nicholas em troca de sua liberdade, contudo no caminho para a esse fim é tortuoso, e Elizabeth será forçada a ver um lado de si e da situação de Ânglia que vai além do bem e do mal.

Essa é a premissa que dá início ao dueto e através de uma narrativa em primeira pessoa Virginia Boecker constrói um universo intrigante, com um sistema de magia objetivo, porém longe de ser simples e que ao lado de personagens secundários deliciosos foge o máximo possível de um desenrolar clichê. Elizabeth é uma protagonista interessante, que reluta um pouco em aceitar a situação, mas nada que fuja da realidade. O ponto que mais me conquistou foi a relação de Elizabeth com os membros do grupo reformista de Nicholas. Especialmente com John, o curandeiro, Fifer, a feiticeira aprendiz de Nicholas e o pirata George. Ao lado deles e de outros ela descobrirá o verdadeiro significado de amizade e pertencimento.

As descrições nos transporta com vivacidade para um mundo de ar medieval e com nomes que remetem a uma antiga mitologia europeia e as cenas de ações são sempre pontuais, sem prologamento excessivo e suficiente para deixar o leitor sem soltar o ar por alguns minutos. É sim uma fantasia jovem adulto, tem sim alguns pontos que podem incomodar a fã de fantasia mais adulto, mas nada demais e imperdoável, apenas um pouco de algo que lembra um romance, mas foi bem apresentado e dentro do gênero o livro é uma história construída com cuidado e que flui instigando o leitor até um fim que amarra bem a trama e deixa a certeza de que você quer saber o que vai acontecer.

Leitura rápida que depois de começada você só vai largar depois do ponto final. Virginia Boecker é uma contadora de histórias que conquista o leitor com ótimos personagens e através dele constrói uma história interessante. A edição da Galera está ótima, desde a tradução até a capa perfeitamente adaptada. Recomendo para quem gosta de fantasia jovem adulto e para quem quer começar a ler o gênero, além disso recomendo para quem gosta de fantasia e tem a mente aberta a leituras de um gênero parecido, que só enriquece e que torna o passar do tempo extremamente agradável. Leiam e se permita gostar! Até mais!

Caçadora de Bruxos - Virginia Boecker
1- A Caçadora de Boecker
2- The King Slayer

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01/09/16

Resenha - Um Mundo Melhor


Nome: Um Mundo Melhor
No Original: A Batter World
Autor (a): Marcus Sakey
Tradutor (a): André Gordirro
Páginas: 420
Editora: Galera
Comprar: Submarino - Saraiva - Travessa - Cultura
Sinopse: Pessoas com poderes especiais numa trama que envolve conspiração, política e terrorismo. O aguardado segundo volume da série Brilhantes Nick Cooper lutou para que os brilhantes, parcela da população dotada de habilidades incomuns, fossem aceitos e integrados na sociedade até uma rede terrorista, liderada por brilhantes, atingir três cidades e deixar o país à beira de uma guerra civil. Cooper é brilhante e agora também consultor do presidente dos Estados Unidos, e contra tudo o que os terroristas representam. Porém, conforme o país descamba para o caos, ele se vê forçado a participar de um jogo que não aceita perdedores, pois seus oponentes têm uma visão particular de um mundo melhor.

Quando comecei Brilhantes esperava um livro de distopia, ficção científica jovem e ao terminar a leitura fiquei extremamente confusa porque o livro era perfeito, mas não tinha nada de jovem e era estarnho ele ter saído pela Galera. Aliás é uma das minhas campanhas, leiam Brilhantes, não fique com medo porque a Galera só lança livro jovem, Brilhantes é sci-fi das mais finas, e termina com um nível alto. Eu etendo porque a Galera não resistiu em lançar o livro, mesmo sem ser jovem é muito bom e esse fato trouxe um novo medo: a continuação. Será que Marcus Sakey ia conseguir superar ou ao menos manter a qualidade do primeiro livro? Será que ele ia cair no mesmo erro de tantos autores e estragar algo maravilhoso? Conheçam Um Mundo Melhor e entendam como o autor foge disso tudo e deixa o leitor ainda mais surpreso.

Nick Cooper era um agente do DAR, uma agência que caçava brilhantes ou anormais que usavam seus dons para cometer crimes e fraudes. Quando Cooper descobriu os segredos de seu chefe e o jogo do qual fazia parte custando a vida de muitos não só anormais ele corre contra o tempo e consegue salvar não só a si como muitas vidas. Nessa continuação Nick vive os efeitos de sua caçada enquanto decidi o que fazer. Enquanto Nick espera um grupo chamado Filhos de Darwin aterroriza a população. Acredita-se que sejam anormais que procuram fomentar uma guerra entre normais e anormais. Atacando pontos cruciais de abastecimento o grupo deixa cidades inteiras à beira do colapso, sem alimentos, e sem como escapar. Ethan Park se encontra bem no meio do caos, com uma filha bebê e uma esposa, sitiados sem muitas alternativas. Enquanto isso Cooper é convidado a trabalhar como consultor para o novo presidente dos Estados Unidos, um convite formal visto que não pode recusar. No meio dessa trama política Cooper é arrastado para uma missão impossível depois de um atentado de proporções inimagináveis.

Esse é o ponto de partida dessa continuação e não quis dar muitos detalhes porque o que torna o livro impossível de largar é os detalhes da trama. Trazendo para a luz personagens como a ex-mulher de Cooper e seus filhos e o novo personagem Ethan o autor segue com uma narrativa envolvente, de escrita sagaz e mostrando mais uma vez que Sakey é mais do que um contador de histórias perspicaz. Seu universo é criativo, uma mistura que lembra dos melhores filmes de ação com uma pitada X-Men, mas não se deixe enganar, o autor é criativo, indo além de qualquer semelhança, essa comparação que faço é apenas referencial, ele evolui a história e de modo engenhoso confirma o que eu já falei, seus livros são maduros e adultos. O desenrolar é cadenciado, encaixando cuidadosamente peça a peça para chegar ao ápice e desse momento em diante é como descer uma montanha russa até o ponto final.

A ambientação é vívida, com descrições precisas e que tornam a ação mais instigante.Seus personagens são bem construídos e bem colocados na trama e Cooper é um protagonista ótimo, com nuances que vão além do tipo herói acima de qualquer erro. Estou ansiosa para o terceiro livro, se seguir no ritmo que está essa será uma das melhores trilogias que já li. Ah e sem esquecer que o autor ainda trouxe explicações importates sem deixar alguns personagens envoltos numa bruma, ainda não confio totalmente neles e sem saber o que esperar, muito suspeito.

Leitura rápida, agradável e que mexe com o leitor. Surpreende a cada capítulo por seguir com qualidade e fugindo de clichês. A edição da Galera segue ótima, tradução cuidadosa e capa original. Com descrições de prender o folêgo, bons personagens, ótimas cenas de ação e um universo rico a história de Marcus Sakey renderia filmes perfeitos de aaptados com fidelidade. Recomendo fortemente ao leitor de ficção científica e distopias, uma trilogia madura, que está longe de ser jovem como pode enganar aquele que pensa que a editora só lança livros jovens. Leiam, é imperdível! Até mais!

Saga Brilhantes - Marcus Sakey
1- Brilhantes
2- Um Mundo Melhor
3- Written in Fire

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31/08/16

Resenha - Noites Roubadas


Nome: Noites Roubadas
No Original: Stolen Nights
Autor (a): Rebecca Maizel
Tradutor (a): Glenda D'Oliveira
Páginas: 384
Editora: Galera
Comprar: Submarino - Travessa - Saraiva - Cultura
Sinopse: Um novo ano começa no Internato Wickham. Mas as coisas não são tão simples como parecem. No ano anterior, o grande amor da vida de Lenah Beaudonte morreu ao conduzir um ritual para torná-la humana outra vez. Agora, ela executou uma cerimônia idêntica para o amigo Vicken, sem nenhuma consequência drástica para nenhum dos dois. A poderosa mágica usada no culto fez mais que tornar Vicken humano. Ela atraiu alguém a Lover’s Bay... Alguém que não pertence à pequena e charmosa cidade. Ela quer o ritual; quer Lenah morta. E irá matar os amigos de Lenah um a um, até que a ex-vampira lhe entregue a fórmula. Como se não bastasse, o ritual também despertou a ira dos Aeris, os quatro elementos e mais fundamentais poderes da Terra. O resultado é uma punição capaz de esmagar o coração de Lenah... Ela deve fazer uma impossível escolha: amor ou vida; presente ou passado; anseio ou realidade.

Segundo livro da trilogia Dias Infinitos, Noites Roubadas é um livro que esperei com curiosidade. A pergunta era como Rebecca Maizel ia seguir a história? Não leio muitos livros de vampiros e pelos poucos que li e conheço as alternativas não eram muitas. Seguindo do ponto onde parou a história segue as consequências das escolhas de Lenah em sua jornada depois de se tornar humana e principalmente do ritual que a transformou. Conheçam.

Lenah acreditava que o ritual que a tornara humana novamente custava a existência do vampiro que realizava o ritual. Ela acreditava que havia perdido Rhode, mas depois de constatar que está viva e bem depois de realizar o mesmo ritual para transformar o vampiro Vicken em humano de novo Lenah tem esperanças de encontrar Rhode novamente. Porém o que ela não contava era que realizar o ritual novamente atrairia atenção indesejada. E uma vampirada sendenta disposta a matar todos em torno de Lenah para conseguir o ritual não é o pior deles. Os Aeris, elementais do ar, fogo, terra e água foram alertados pelo ritual, eles querem restabelecer o equilíbrio que Lenah e Rhode romperam, e para isso oferecem uma escolha aos dois. Uma escolha difícil, mas que para surpresa até mesmo dos Aeris levará ao desencadear de uma perigosa combinação de eventos. Ao lado de Vicken e Rhode Lenah precisara de toda a astúcia para salvar o máximo de pessoas que conseguir e derrotar a vampira sem irritar ainda mais os Aeris, mas encontrando Rhode todo dia esse tarefa não será fácil.

Esse é o ponto de partida de Noites Roubadas e através da voz narrativa de Lenah somos levados por uma trama mais pesada e sombria, com muitas mortes e complicações. A ambientação continua rica e muitos elementos novos são introduzidos ao lado de novos personagens que levam o livro além do gênero vampiresco. Narrativas em primeira pessoa costumam ser muito focadas, mas Lenah consegue levar ao leitor impressões vívidas principalmente de Vicken, enquanto em outros casos como Justin a narrativa peca ao não conseguir nos apresentar direito o personagem, mesmo ao final de dois livros ficamos com a sensação de que tem algo errado com ele.

A trama central continua interessante e os novos elementos que levam a trilogia mais a fundo na fantasia foram muito bem colocados. A história é instigante e o passar dos capítulos é rápido, levando a um final de deixar o queixo caído. Ainda não vejo como Maizel vai desfazer o que fez ou religar Lenah a tudo. Curiosa demais pelo terceiro livro porque gosto de Lenah como protagonista e Rhode e Vicken são ótimos ao lado dela.

Leitura rápida, gostosa e que deixa o leitor querendo mais. Rebecca Maizel consegue trazer vampiros diferentes e surpreender o leitor com uma trama intrincada de segredos, escolhas difíceis e assassinatos. A edição da Galera está ótima, as capas da trilogia são lindas e perfeitas para a história. Recomendo a quem gosta de vampiros e uma boa trilogia jovem, que consegue trazer elementos criativos e bons personagens! Leiam! Até mais!

Dias Infinitos - Rebecca Maizel
1- Dias Infinitos
2- Noites Roubadas
3- Eternal Dawn

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03/08/16

Resenha - Silêncio


Nome: Silêncio
Autor (a): Richelle Mead
Tradutor (a): Daniela Dias
Páginas: 280
Editora: Galera
Comprar: Submarino - Travessa - Saraiva - Cultura
Sinopse: Acabamos de enganar os tutores mais uma vez, mas não consigo me sentir mal por ter feito isso. Aí menos, não com a certeza de que o futuro de Zhang Jing é o que está em jogo.

Desde que li meu primeiro livro de Richelle Mead gostei de seu estilo e a autora sempre me surpreendeu com universos intricados e ricamente detalhados. Foi por isso que solicitei Silêncio, mas não imaginava que a história seria tão tocante e belamente inspirada numas das culturas mais antigas do mundo. Mead mais uma vez surpreende e encantada. Conheçam.

Fei mais uma vez teve de corrigir o trabalho da irmã, Zhang. Ela está cada vez mais próxima de ficar cega e já não consegue retratar tudo o que vê. Como aprendizes do Paço do Pavão as duas irmãs ao lado dos demais aprendizes relatam tudo o que observam no vilarejo em suas pinturas. É a memória pintada de seu povo. O vilarejo no topo da montanha é dividido em camadas, dos mineradores aos anciões, é um equilíbrio e quanto mais minério enviam montanha a baixo mais alimento recebem. Presos no pequeno vilarejo este é o equilíbrio. Eles não ouvem e muitos estão ficando cegos. Qualquer tentativa de pedir mais suprimentos termina em menos comida e um aviso por serem gananciosos e estragarem o equilíbrio. Cansado do sofrimento e destruído pela morte do pai Li
Wei decide descer a montanha de alguma forma e Fei, a mais talentosa pintora e aprendiz está decidida a ir junto. Precisa salvar a irmã e precisa compreender porque sua audição está voltando. Ninguém do seu vilarejo ouve há séculos e ela precisa saber o que tem na base da montanha. O que ela e Li Wei descobrem é chocante e
revoltante, tantos as mentiras quanto às manipulações. O problema será convencer alguém da verdade e voltar ao vilarejo. Presos em uma montanha altíssima, isolados do mundo e mergulhados em crenças eles não acreditarão em dois jovens que fugiram e contrariaram séculos de tradição. Seria o ser humano capaz de tamanha atrocidade?

A partir daí a história se desenrola, ou devo dizer bem antes disso. A narrativa é bem surpreendente desde o começo porque não sabemos o que esperar da história. Misturando folclore antigo oriental e uma triste história de exploração e ganância Richelle Mead envolve o leitor através da voz marcante de Fei e Li, nos guiando desde o começo baseado nos sentimentos de perda e desespero dos dois, que partem em busca de qualquer coisa para aplacar o sofrimento daqueles que amam. Com poucas e bem colocadas descrições a autora cria um mundo de beleza sem igual, delicado e vívido, mas ao mesmo tempo seco cruel e desolado. Brincando com a ideia de equilíbrio que ela cita na trama Mead mergulha o leitor em um cenário que surpreende por ir de um extremo ao outro.

Leitura rápida porque depois que começamos precisamos saber como termina. A protagonista é forte, foge do padrão e ainda bem termina exatamente no ponto certo, sem romances de contos de fadas e sem besteiróis. Ambos os protagonistas cativam e conquistam por suas ações e personalidades. A edição da Galera está belíssima com a capa original bem adaptada e uma ótima fonte. Recomendo aos que buscam livros de culturas diferentes e que querem ser encantados por visões e universos únicos, que resgata elementos de culturas diferentes e com uma história humana, de luta por justiça e que explora a ganancia humana. Leiam e se encantem! Até mais!

01/08/16

Resenha - A Geografia de Nós Dois


Nome: A Geografia de Nós Dois
Autor (a): Jennifer E. Smith
Tradutor (a): Glenda D'Oliveira
Páginas: 272
Editora: Galera
Comprar: Submarino - Travessa - Saraiva - Cultura
Sinopse: Lucy mora no vigésimo quarto andar. Owen no subsolo... E é no meio do caminho que ambos se encontram - presos em um elevador entre dois pisos de um prédio de luxo em Nova York. A cidade está às escuras graças à um blecaute e entre sorvetes derretidos, caos no trânsito, estrelas e confissões eles descobrem que a eletricidade pode ter caído mas não sumiu de suas conversas. Mesmo quando a geografia parece interferir...

Terceiro livro de Jennifer E. Smith que leio e segundo que me deixa com muita vontade de viajar. Sempre tive algo por estradas, sejam elas na terra ou no ar, estar em movimento é o mínimo que podemos fazer sendo tão pequenos em um universo tão grande. Parece errado ficar parado e os livros de Jennifer E. Smith conseguem nos tirar do lugar nem que seja por um curto período de tempo. Em mais uma história de amor moderna e improvável a autora nos guia por um mundo de cartões postais e distâncias impossíveis. Conheçam.

Era primeiro de setembro e Lucy estava presa em um elevador entre o décimo e o décimo primeiro andar do prédio onde morara a vida inteira. Ela se arrependeu de ter corrido para segurar o elevador no momento em que sentiu o solavanco que parou a pequena caixa metálica entre os andares e ainda por cima estava com o garoto estranho que mudara recentemente para o prédio. Owen mal notou quem entrou correndo no elevador quase fechado, ele só estava pensando na liberdade do terraço 42 andares acima. Morar no subsolo ao lado do seu pai nas últimas semanas o deixara com a sensação de peso, era como acordar com o peso de todo o prédio sobre o peito e agora que o pai dele saíra para lembrar-se da mãe dele e de como se conheceram Owen queria escapar, nem que fosse por pouco tempo. Mudar para Nova York era o ponto final em sua solidão e não imaginara que ficar preso no elevador escuro traria uma presença tão forte, estava consciente até demais de Lucy. Os dois logo emendam uma conversa e o blecaute não parece tão mau. Desse encontro do escuro surge algo diferente, mas a vida os leva para lados opostos do mapa. Lucy para Edimburgo na Escócia, Owen por uma viagem através dos Estados Unidos rumo à costa oeste e tudo o que os liga são cartões postais, numa geografia improvável, ambos descobrirão que quando é para ser nada mais importa.

Esse é o ponto de partida do terceiro livro de Smith a sair pela Galera e com uma narrativa simples alternada entre Lucy e Owen somos guiados por uma história que vai além do amor improvável e da geografia maluca. A história de ambos é sobre descobrir a si mesmo, sobre enfrentar medos e largar o passado, e principalmente
sobre correr riscos, não ter medo de enfrentar situações que parecem fadadas ao fracasso. Com uma ambientação rica que vai para lados opostos do globo a autora nos envolve na história de recuperação de Owen e de libertação de Lucy.

Entrelaçando desenvolvimento de personagem com a construção do que eles sentem um pelo o outro Smith presenteia o leitor com uma história que parece igual a tantas outras, uma história de amor jovem, mas que surpreende com elementos únicos e destacadamente um desfecho único, realista, sem felizes para sempre e grandes promessas porque afinal a vida não anda cheia deles.

Leitura rápida, que nos cativa logo nas primeiras páginas e nos instiga pela curiosidade de ver como um encontro tão improvável pode render uma história interessante e que no final realmente entrega o que prometia. Jennifer E. Smith é uma das autoras que melhor capta as possibilidades desse nosso mundo que não para em histórias que deixa o leitor desejando encontros e desencontros parecidos. Com escrita fluída e sensível a pequenas nuances ela desperta a imaginação do leitor. A edição da Galera está perfeita como sempre, gostei de terem mantido a capa original, pena que não casa com as dos outros livros, ficou nem lá nem cá. Recomendo a todos que querem uma história para passar o tempo e fazer sonhar. Um romance diferente e que vai cativar mesmo os mais presos ao lugar onde estão. Leiam! Até mais!

31/07/16

Resenha - Os Feiticeiros da Tempestade


Nome: Os Feiticeiros da Tempestade
Autor (a): Philippa Gregory
Tradutor (a): Ryta Vinagre
Páginas: 304
Editora: Galera
Comprar: Submarino - Travessa - Saraiva - Cultura
Sinopse: O ano é 1453 e o fim dos tempos de aproxima rapidamente. A atração entre Luca e Isolde cresce cada vez mais. Apesar de o jovem tentar focar em sua missão para a Ordem da Escuridão, essa tensão sempre o deixa diante de um dilema. Quando chega a uma aldeia de pescadores, o grupo de Luca de depara com uma cruzada de crianças que se diz guiada por Deus numa peregrinação à Terra Santa onde há uma promessa de que Deus fará o mar se abrir para seu povo e isso coloca a fé de Luca em xeque. Ele irá mesmo testemunhar tamanho milagre?

Segundo livro da série Ordem da Escuridão e surpreendente. É o mínimo que podemos falar de Os Feiticeiros da Tempestade. Philippa Gregory é uma das melhores autoras de ficção histórica que já li e não faz feio ao se arriscar em ficção histórica jovem. Os mistérios e as perguntas que este segundo livro apresenta são de deixar qualquer um roendo os cotovelos de ansiedade pelo próximo livro. Muita coisa nova, muito mistério e muita escuridão.
Conheçam.

O grupo de Luca segue rumo a sua nova inquisição e a cada dia que passa Luca está mais encantado com Isolde. Ao lado deles Freize e Ishraq a estrada em pleno outono não é de todo mau, mas o irmão Peter não os deixa esquecer sua missão, de encontrar sinais do fim dos tempos e relatá-los ao mesmo tempo em que os combate. Ao
chegar a um pequeno vilarejo em busca de uma embarcação o grupo é surpreendido por uma cruzada de crianças. Centenas de meninos e meninas, desnutridos, descalços, noviças fugidas, cavalariços, os mais variados tipos de crianças, não mais velhas que 16 anos, todas seguindo um jovem rapaz louro, um pastor, Johann, o Bom, que diz ter ouvido o chamado de Deus para partir e seguir direto a Constantinopla. Luca fica admirado e chocado com a fé cega com que as crianças o seguem. Já o irmão Peter fica preocupado, o jovem é muito bom de lábia e tudo parece muito real, mas poderia ele ser um enviado do próprio diabo. Enquanto isso Ishraq e Freize sempre céticos são os únicos que não estão nem de um lado, nem de outro. Seria mesmo possível que eles veriam o mar de abrir para um bando de crianças? E como elas venceriam o império Otomano? Contudo para o horror da pequena vila pesqueira não há necessidade de esperar resposta. Tragédia, perda e terror chegam até eles. Luca e seu grupo serão testados e quando não se sabe a quem se serve como você pode jurar fidelidade e sua alma?

Essa é a premissa deste segundo livro e posso dizer que Philippa surpreende fugindo de tudo o que eu imaginava. Podia jurar que seria mais um caso para a inquisição e pronto, mas não, a autora vai além apresentando personagens escusos, ordens secretas e com intenções enganosas e principalmente diversos elementos históricos intrigantes, que resgatam parte de um período conturbado e traz outro lado do mundo para o foco. Tão acostumada eu estava com os livros na Inglaterra de 1500 que mal pude me conter com cada detalhe que a autora trazia dos países à beira do mediterrâneo e de toda a trama envolvendo os árabes e o Império Otomano.

Com ambientação perfeita, desenvolvimento dos personagens principais e adições que deixam o leitor assustado a autora passa longe da síndrome de segundo livro e deixa o leitor curioso demais pelo próximo volume. O tal líder da Ordem da Escuridão me deu arrepios e se ele serve ao papa o Brasil é o país mais seguro da face da terra. Vai nessa. O Luca é um idiota se acreditou e eu queria muito ver essa série adaptada para a TV. Uma série com doze episódios no máximo por temporada seria perfeita. Ficção histórica de qualidade e ainda desenvolvimento de tramas pertinentes ao período.

Leitura rápida e que surpreende logo nos primeiros capítulos seguindo daí capítulo a capítulo com um “não estou acreditando”. Escrita e ritmo perfeito. A edição da Galera está ótima, capa muito bonita, tradução cuidadosa e fonte confortável. Recomendo a todos que procuram um livro jovem diferente, histórico sim, mas com suas liberdades, curioso, inteligente e que se arriscou a crescer nessa continuação. Leiam e se surpreendam! Até mais!